Para hoje trago um assunto que me vem consumindo o pensamento há já algum tempo. Quando foi a última vez que viram um livro num anúncio de televisão? Quando foi a última vez que viram um anúncio de imprensa de uma editora? Quando foi a última vez que viram um outdoor de uma marca editorial? Sinceramente não sei responder, vocês sabem? Duvido… e isso acontece porque o marketing das editoras portuguesas é, no mínimo, mau.

Querem mais exemplos? Seguem alguma editora no Facebook? Já visitaram o site de alguma editora? Deixem-me nomear alguns exemplos: a LeYa, o maior grupo editorial português, dona de 17 editoras, tem apenas 10.598 gostos no Facebook. A Bertrand, grupo editorial com uma longa história e dona das livrarias que mais vendem livros em Portugal, tem 9.350. Tiro o meu chapéu à Porto Editora que conta com 39.888 gostos, a prova de que é possível melhorar a atitude quanto ao marketing.

Claro que o design/funcionalidade dos sites ou a quantidade de seguidores nas redes sociais são indicadores que valem o que valem. Mas são sinais de que algo não está bem. Se compararmos com artistas, músicos ou até outras marcas vemos claramente que as editoras não estão a apostar nas novas tecnologias. A pergunta que me surge de imediato é a seguinte: se não apostam no marketing tradicional e se são tão resistentes à novidade publicitária, como é que se divulga o trabalho dos escritores? De forma nenhuma, respondo eu. Aí está a resposta para que os portugueses leiam tão pouco, aí está a resposta para que seja tão difícil para os novos autores se inserirem no mercado.

Basta reparar no tipo de livros que são publicados em Portugal: maioritariamente livros estrangeiros que já atingiram o estatuto de best-seller nos seus países de origem e que já têm o marketing todo feito. Os poucos autores portugueses que são editados por cá conseguem divulgar a sua obra através de entrevistas e críticas literárias na imprensa tradicional, isto claro porque são tão poucos.

Preocupa-me sinceramente que as empresas portuguesas ligadas ao livro sejam tão tradicionais. Sempre a apostar no que é mais seguro, sempre à procura do sucesso garantido. O resultado destas práticas tem sido o definhamento do nosso mercado editorial. As pessoas leem cada vez menos, os escritores de sucesso são também cada vez menos. Uma estratégia empresarial que, por apostar no garantido, está-se a estrangular a si própria. O público está-se a acostumar a este estado de coisas, está a ficar também ele avesso ao risco. Estas opções não se entendem, sobretudo quando o contexto de crise pede por inovação, por investimento em novas áreas.

Será que já houve algum editor iluminado que pensasse que o futuro da nossa literatura é a produção em língua portuguesa para exportação para o Brasil e para outros países com a mesma língua? Creio que o público já começa a ficar cansado do romance norte-americano, sempre igual a si mesmo. Inove-se!