A RTP1 apresentou esta quinta-feira, dia 10, a sua nova aposta para o horário nobre dos dias úteis. Sinais de Vida é a série de longa duração que, a partir do próximo dia 14 de janeiro às 21h30 vai, durante 80 episódios, fazer companhia nas noites da estação pública.

O Espalha-Factos esteve na apresentação desta série, que marca o regresso do canal estatal à grande ficção em prime-time. Luís Marinho, diretor-geral de conteúdos da RTP, quando questionado sobre como fazer esta aposta com um orçamento bastante mais rigoroso, explicou que foi a “fazer contas e lançar desafios às produtoras” que conseguiu alcançar este produto final, explicando que da parte das produtoras houve também “sacrifício”, dado que tiveram que “manter a mesma qualidade a um preço mais reduzido”.

Joaquim Horta, protagonista da nova aposta do canal 1, vê com bons olhos o regresso da produção nacional ao horário nobre: “Acho muito bem que a RTP aposte na ficção, fico muito contente. Pela razão óbvia e imediata de que é mais um canal a produzir ficção nacional e também porque a RTP pode ocupar um espaço que os outros canais não ocupam. A SIC e a TVI estão a concorrer pelas audiências e para serem líderes, a RTP está mais confortável – sabe que não vai ser líder, por isso pode apostar em coisas diferentes. É isso que está a fazer e isso permitirá à ficção nacional ter aqui uma maneira diferente de fazer as coisas”.

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O RITMO DE GRAVAÇÕES

A gravação, em dois meses, de uma série com 80 episódios, levou a um ritmo acelerado de produção. Dânia Neto compara a gravação da série a “fazer bancos no hospital”, enquanto que Joel Branco, de regresso à televisão, fala “num trabalho intenso, mas gratificante”.

Joaquim Horta fala deste trabalho como “muito exigente” e “bastante urgente”, dado o intenso ritmo de gravações. “Tivemos pouco tempo para isto, mas à partida também já sabíamos que seria assim. Por condicionantes várias, aconteceu esta exceção e aceitámos estas condições. Estamos a lutar para conseguir cumprir os prazos que estão em cima da mesa”, adiantou o protagonista.

Francisco Côrte-Real, que dará vida ao cirurgião André, realçou ainda o intenso trabalho de preparação, explicando que precisou “começar a ver séries de médicos”, até porque antes “não era propriamente o maior fã”. Além disso passou a observar com mais atenção médicos amigos. Como parte importante da preparação relatou que “a produção levou-nos (aos actores) até ao hospital, a um bloco operatório”, o ator revelou ainda que na gravação da série há “enfermeiras verdadeiras” que trabalham “como figurantes e ajudam com o realismo das cenas”.

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O REALISMO DA SÉRIE

O elenco é unânime quando realça o realismo da história. Carla Salgueiro, que fará o papel da chef Filipa, refere “histórias equilibradas e bem pensadas”. Dânia Neto, que interpreta uma médica em internato, fala sobre a possibilidade de “retratar problemas da profissão”.

Francisco Côrte-Real, realça a diferença desta série relativamente às telenovelas: “É um tipo de abordagem diferente. O que me surpreendeu pela positiva foi falar de um Portugal contemporâneo e realista. Fala sobre os temas da crise, dos jovens que tiram um curso e têm de mudar de rumo. O retrato das pessoas com deficiência que têm dificuldade em inserir-se na sociedade”.

Tomás Almeida, que tem síndrome de Down e interpreta a personagem Rodrigo, admitiu que utilizou várias das suas vivências, e dos seus colegas, para fazer esta personagem, que enfrentará várias dificuldades ao tentar entrar no mercado de trabalho. O ator, cujo ritmo de gravações tem sido bastante intenso, acha que está a correr muito bem e é uma boa experiência para o currículo.

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Resta agora saber se, para a RTP1, Sinais de Vida será uma boa marca num currículo que, em 2012, foi escrito bem longe dos telespectadores.