A RTP1 apresentou esta segunda-feira, dia 7 de janeiro, a sua nova grelha para 2013. Apostada na renovação e na diferenciação do serviço público em relação à concorrência, foi com a presença de várias das suas estrelas e a apresentação de Eduardo Madeira que o primeiro canal se mostrou à imprensa.

O lema em vigor a partir do próximo dia 14 é “Portugal sempre ligado” e Alberto da Ponte, presidente do Conselho de Administração da RTP, explica esta nova assinatura como o espelho do “que a RTP quer ser no futuro”.

O administrador da emissora estatal anunciou que o que iríamos ver seria “diferente, uma revolução na programação da RTP, uma tentativa empenhada de estarmos próximos de todos os portugueses – onde quer que eles estejam”. Para além da renovação da programação, a RTP1 terá também uma nova imagem, novos separadores com monumentos nacionais e uma nova geração de portugueses, bem como separadores de publicidade e um novo grafismo.

Numa lógica popsmart (popular e inteligente), Luís Marinho reforçou as obrigações do serviço público, ‘informar, formar e divertir’, numa televisão que também deve ser consciente.

NOVA PROGRAMAÇÃO

Hugo Andrade iniciou a apresentação anunciando que a necessidade de mudança na grelha da RTP se prende com vários problemas detetados numa matriz de emissão em vigência “há 12 anos”. “Um dos nossos problemas estava na irregularidade de horários, no problema em criar habituação”, explicou o diretor de programas.

No daytime, a estrutura de programação é igual, no entanto há renovação na Praça da Alegria e no Portugal no Coração, cujos conteúdos serão alterados e terão novos apresentadores. No matinal, João Baião terá a missão de juntar os portugueses ao lado de Tânia Ribas de Oliveira, que apenas se unirá a ele em março, altura em que termina a sua licença de maternidade. O apresentador promete que “a cumplicidade entre os dois será a grande base da diferença do programa”. José Carlos Malato e Marta Leite Castro regressam ao Portugal no Coração, cuja missão passa agora por “fazer pensar os portugueses”, explicou Andrade.

As maiores mudanças surgirão no primetime, com a informação a ter várias alterações: o Telejornal passa a ter 40 minutos e a ser seguido, diariamente, pelo espaço de análise 360º. De segunda a sexta-feira haverá ainda, a partir das 21 horas, programas com géneros jornalísticos variados.

O novo diretor de informação, Paulo Ferreira, explicou ao Espalha-Factos que os responsáveis pela estação pública não querem apenas “fazer um Telejornal mais curto, com o mesmo que agora mas mais rápido”, assumindo a intenção de “ir ao encontro do que é importante e não apenas do que é interessante”, prometendo “maior selectividade na informação trabalhada e na forma como é trabalhada”. A informação de fim de semana, com um Telejornal ao estilo magazine, contará com a apresentação de António Esteves e Cristina Esteves.

A programação das noites dos dias úteis contará assim com ficção às 21h30, infotainment às 22h20 e o programa 5 para a meia-noite às 23h10. A grande novidade do primetime em termos de entretenimento prende-se com a ausência de concursos, assumindo que a “a melhor forma que encontramos para entreter as pessoas é a ficção”, afirma Hugo Andrade.

A FICÇÃO

A aposta na ficção “em todos os géneros” é uma promessa da atual direcção de programas da estação pública, que irá reforçá-la este ano. Hugo Andrade garante “vários projectos em vários horários”, nomeadamente Linhas de Wellington, Família Açoriana, Vermelho Brasil, Capitão de Longo Curso e Operação Outono. Caxinas, realizada por João Canijo, e Odisseia de Homero, uma coprodução com a televisão francesa, são outros dos projetos a exibir.

Tida como uma das mais fortes promessas na produção da RTP para 2013, Depois do Adeus é uma série na linha de Conta-me como Foi e que regressa a 1975 para contar a história de uma família de ‘retornados’. O diretor de programas da estação pública promete “muita qualidade” e garante que “37 anos depois estava na altura de tratar este tema”. A trama, de 26 episódios, será transmitida aos sábados às 21 horas.

A este projecto junta-se uma envolvência multiplataforma, sendo que irá contar com um programa de rádio, intitulado Começar de Novo, uma rádio temática chamada Antena 1 Memória, um site e uma série documental com testemunhos de quem viveu os conturbados tempos do Período Revolucionário em Curso (PREC).

Sinais de Vida é outra das apostas da ficção da nova RTP1. Trata-se de uma série de longa duração, com 80 capítulos exibidos de segunda a sexta-feira às 21h30. Em declarações ao Espalha-Factos, a actriz Dalila Carmo referiu-se a um ritmo de trabalho “galopante e muito intenso” nos dois meses e meio em que decorreram já as gravações. São José Correia, conhecida pelas críticas à “falta de criatividade” na ficção nacional, descreve este projecto como algo original e “com o qual os portugueses se irão identificar”.

A série acompanha os médicos de um hospital na sua vida profissional acelerada e, paralelamente, as histórias de veterinários e tratadores do Jardim Zoológico de Lisboa. As suas vidas pessoais cruzam-se “enquanto se tentam encontrar a si mesmos”, adianta a RTP.

GRANDE ENTRETENIMENTO

A grande proposta da RTP1 para as noites de sábado volta a ficar a cargo de Catarina Furtado. A eterna namoradinha de Portugal irá conduzir Don’t Stop Me Now, “um projecto divertido que junta canto, humor, representação” e será “muito surpreendente para os participantes, que nunca sabem quando os espera uma partida”, afiança Andrade.

Apresentação do formato:

INFOTAINMENT

De segunda a sexta feira, às 22h20, haverá ainda lugar para programas diversificados que, incluindo informação e, mais do que isso, conhecimento acerca do nosso país e dos portugueses, incluem também uma dose de entretenimento. Informar entretendo, portanto.

Não me sai da Cabeça, apresentado por Sílvia Alberto, é uma série de documentários que navega pela “razão pela qual certas canções ficaram no ouvido dos portugueses” ao longo do tempo, segundo Hugo Andrade. Já terça-feira será dia de Quem é que tu pensas que És, no qual oito personalidades portuguesas buscam as suas raízes familiares.

Portugal de…, coordenado pelo jornalista Luís Osório, faz também o perfil de oito portugueses procurando caracterizar uma nova cultura da sociedade, e Conta-me História, apresentado por Luís Filipe Borges e Fernando Casqueira, Professor Catedrático de História, procura misturar o relato histórico com as reconstituições de época. A sexta-feira, por último, será ocupada pelo programa Portugueses pelo Mundo, já exibido na RTP1.

HUMOR

A aposta no humor mantém-se, com a segunda temporada de Os Compadres e a estreia de sitcoms como Hotel Cinco Estrelas e A Mãe do Sr. Ministro – o regresso de Ana Bola e Vítor de Sousa à mítica série, 15 anos depois. Mas o destaque principal vai para Odisseia, um “projeto totalmente desconcertante”, nas palavras do diretor de programas, e “um tipo de humor que é totalmente serviço público”.

Não é fácil para o criador, Bruno Nogueira, explicar em que consiste este formato. Com a colaboração de Nuno Lopes, Gonçalo Waddington e Tiago Guedes, cruzam-se duas narrativas e explora-se o making of da própria série, com convidados especiais ao longo de 13 episódios.

Teaser de Odisseia:

“Nós somos um canal que precisava de mudança”

A RTP procura assim oferecer uma programação “mais ligeira, divertida e arejada”, de acordo com Hugo Andrade, com o principal objectivo de “conquistar novos públicos”, numa antena que estava já “muito cinzenta e cansativa”. O primeiro canal, que a partir de 14 de janeiro passará também a emitir em 16:9, quer então “ganhar uma proximidade com os espectadores” através da aposta na ficção, na portugalidade, na informação de qualidade.

Como operador de serviço público, “temos de ser os primeiros em tudo, até na inovação e na estética”, refere ainda Andrade. A “visão panorâmica” sobre “um país que nunca se viu”.

por Pedro Miguel Coelho e Raquel Santos Silva