Depois de Guimarães é a vez de Marselha-Provença (França) e Kosice (Eslováquia) serem nomeadas Capital Europeia da Cultura para 2013; os programas culturais oficiais arrancam nos dias 12 e 19 de janeiro, respetivamente.

Kosice, localizada no leste da Eslováquia, foi esquecida nos últimos anos mas tem um passado rico e uma longa tradição cultural. A cidade irá aproveitar os benefícios financeiros de ter sido eleita a Capital Europeia da Cultura para melhorar a sua imagem e para revitalizar a sua vida cultural. Só da União Europeia será disponibilizada uma verba no valor de 60 milhões de euros que irão ser investidos em projetos de várias dimensões. Novas ruas, parques e praças serão construídos; edifícios serão erguidos, revitalizados e requalificados; um antigo pavilhão de desportos aquáticos será transformado num centro de arte multifuncional e o quartel, que se encontra desativado há alguns anos, irá tornar-se um centro cultural.

O acesso à cidade é difícil e longo: a distância entre Kosice e Varsóvia, capital eslovaca, é de 500 quilómetros. Se partirmos de Berlim, esta é superior aos mil quilómetros. Só há vôos diretos para as cidades de Bratislava (Eslováquia), Praga (República Checa) e Viena (Áustria). O aeroporto mais utilizado situa-se em  Budapeste, na Hungria e fica a três horas de distância de comboio.

Apesar de não estar pronta ainda, a cidade tornar-se-á um importante centro de produção artística que dificilmente poderá ser ignorado: serão criadas oportunidades de colaboração entre empresas e artistas, bem como entre diferentes países.

A tradição cultural de Kosice está patente nos diversos equipamentos culturais existentes. As artes dramáticas têm como palco principal o Teatro Nacional de Kosice, fundado em 1945, com drama, ópera e ballet; são igualmente  importantes o Teatro de Marionetas e o Teatro Antigo. A cidade é também casa da Filarmónica Nacional de Kosice (1968), responsável pela organização do The Kosice Music Spring Festival  e do The International Organ Music of Ivan Sokol. The Golden Beggar Festival, fundado em 1995, acontece todos os anos no mês de junho e tem como objectivo a divulgação e o suporte de emissoras locais existentes na Europa; é também um espaço de promoção de novos programas, bem como uma grande oportunidade para coproduções.

Kosice dispõe do Museu do Leste Eslovaco, estabelecido em 1982 e do Museu Técnico Eslovaco (1947), que está também equipado com um planetário. A cidade possui uma galeria de arte, Galeria do Leste Eslovaco, na qual são organizados diversos eventos culturais.

Kosice foi no passado uma cidade próspera e rica e a sua posição geográfica favorável possibilitou a sua ascensão – era ponto de passagem das rotas comerciais dos colonos alemães. No século XIX, instalaram-se diversas fábricas na cidade e os empresários locais faziam fortuna possibilitando o aparecimento de imponentes construções no centro histórico, como a Catedral Gótica de Santa Elisabete.

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Centro histórico e Catedral de Santa Elisabete

Com a queda da Cortina de Ferro (1989-1991), a Checoslováquia foi dividida em dois estados independentes: a República Checa e a Eslováquia, que passou a ter como capital Bratislava, e desde então Kosice foi esquecida. Com cerca de 240 mil habitantes, a cidade é habitada por checos, húngaros, ucranianos e alemães e possui uma taxa de desemprego próxima dos 30%, o que conduz à emigração da população jovem, dinâmica e criativa.

A nomeação de Kosice como Capital Europeia da Cultura de 2013 é a oportunidade que a cidade esperava para mudar a sua imagem, dinamizar a sua vida cultural e a revitalizar a sua economia, que irá aproveitar a atenção internacional e o fluxo financeiro para se dinamizar, tornando-se numa cidade mais moderna.