Em entrevista ao semanário Expresso, o Presidente da República defende que «cabe ao Estado garantir a existência de um serviço público de televisão», mostrando-se contra a privatização da televisão e rádio públicas.

A entrevista, exclusiva, foi publicada hoje e aconteceu por ocasião do quadragésimo aniversário do jornal. Cavaco Silva disse esperar que  o Governo respeite o princípio inscrito na constituição e que «saiba encontrar os consensos necessários para garantir o futuro da RTP».

Esta foi a primeira vez que Aníbal Cavaco Silva se pronunciou sobre um dos temas mais polémicos da atualidade política. A decisão final sobre a privatização da RTP e os moldes em que poderá ser processada estava prevista para o último Conselho de Ministros de 2012, mas foi adiada para os primeiros meses do novo ano.

O impasse no dossier deve-se em grande medida à oposição do CDS, que apesar de no programa de Governo ter assumido o compromisso da venda de um canal, é a favor de que o grupo RTP se mantenha por completo na esfera pública, mas com receitas próprias e sem receber verbas do Orçamento de Estado. Para já, os dois partidos de coligação ainda não chegaram a um consenso. A transparência do processo e a garantia de que serão cumpridas as obrigações definidas no caderno de encargos do serviço público por parte do potencial operador privado a ficar com a exploração são as exigências que também têm atrasado a privatização.

Apesar de ainda não ser conhecida a decisão governamental, Luís Loureiro, elemento da subcomissão de trabalhadores do Centro de Produção Norte, afirmou à Lusa que o presidente do conselho de administração da estação pública, Alberto da Ponte, «garantiu aos trabalhadores que a RTP2 é para continuar», informação avançada durante a reunião de ontem com os funcionários do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia.