Um ano passou e muita música se fez, os redatores do Espalha Factos tiveram muita dificuldade em escolher os seus “álbuns preferidos” de 2012 (são tantos!), mas aqui ficam as nossas escolhas. Quais são as tuas?

Atenção! Não existe qualquer tipo de “ordem” ou hierarquia nesta lista.

Alt-J – An Awesome Wave

Apesar de terem iniciado a sua atividade em 2008, os Alt-J lançaram em 2012 o seu primeiro álbum, trazendo algo de único ao panorama musical atual. As diferentes influências da banda britânica fazem com que seja impossível incluí-la num só género: a música dos Alt-J é uma mistura entre rock, pop psicadélico, indie folk e trip-hop, que os fez ganhar merecidamente o Mercury Prize para “Melhor Álbum”, em Novembro.

É difícil escolher “o” tema do disco, já que todo o álbum é bastante linear, não só quanto à sua sonoridade, como também no que toca à sua qualidade. Tesselate, Breezblockse Fitz Pleasure foram os temas escolhidos para singles de apresentação. Matilda, MS ou Taro são também belíssimos exemplos da sonoridade dos Alt-J na voz única de Joe Newman.

Em Portugal, a banda fez sucesso no Milhões de Festa e, mais recentemente, no Vodafone Mexefest. O sucesso foi tanto que o regresso já está marcado para julho de 2013, no festival Optimus Alive!. Ficamos à espera.

Escolha de Joana Andrade, Catarina A. Alves e Alexandre Lopes, texto de Joana Andrade

 

Stone Sour – House of gold & bones – part 1

Com o lançamento do quarto álbum de originais, os Stone Sour vêm demonstrar que ainda conseguem surpreender. House of Gold & Bones Part 1, como o nome indica, é a primeira parte de um trabalho da banda liderada por Corey Taylor e que nos vem trazer uma lufada de ar fresco no mundo do rock. Este trabalho conta a história das lutas interiores de um homem e as suas escolhas. O álbum foi produzido por David Bottrill, os singles Gone Sovereign e Absolute Zero trazem-nos toda a energia da banda e da sua mensagem. Este álbum bastante rebelde deixa-nos curiosos com a segunda parte, que chega este ano de 2013.

Escolha e texto de André Cardoso

Cloud Nothings – Attack On Memory 

Depois dos mornos Turning On (2009) e Cloud Nothings (2011), já ninguém dava nada pelas canções pop-punk adolescentes que Dylan Baldi fazia no seu quarto. Pois bem, para o seu terceiro álbum o norte-americano decidiu levar para estúdio a sua banda de estrada e contratar para a “produção” o génio Steve Albini; o resultado foi Attack On Memory, uma coleção de oito canções com influências diretas do alternative rock e post-hardcore de grupos como Fugazi, Slint ou Sunny Day Real Estate. Adulto, abrasivo e tremendamente penetrante, o terceiro disco dos Cloud Nothings mostrou ser um autêntico murro no estômago e continua a estar, quase doze meses depois do seu lançamento, no topo dos discos que tive o prazer de ouvir neste ano que agora findou.

Escolha e texto de João Morais

 

MetzMetz

Bombas noise, rebeldia punk, roupagens calibradas e minadas pelo post-hardcore: com Metz, até te explodes.

Bombástico. Ardente. Caótico. Cenoso. São estas as palavras que podem definir o dilúvio sonoro que os Metz nos proporcionam e recitam durante os 30 minutos mais rápidos e incrivelmente leves de sempre. Tudo explode em Wet Blanket ou tudo se gasta em Wasted, mas a verdade é que música desta jamais se gastará nos nossos ouvidos. Parabéns, é tudo vosso.

Escolha e texto de Emanuel Graça

 

KeaneStrangeland

Strangeland representou o regresso da banda inglesa à origem, ou seja, depois do último álbum Perfect Symmetry (2008) e do EP Night Train (2009), terem sido demasiado criticados pela negativa surge a “redenção”. A banda liderada por Tom Chaplin esteve por várias ocasiões em Portugal, no ano passado. Neste último disco, os Keane regressaram com força e trazem um tema, que se tornou num hit em muitos países por toda a Europa –  Silenced By The Night – com o qual mostraram que ainda sabem fazer boa música e manter, ao mesmo tempo, a sua identidade musical.

Escolha e texto de Marta Aguiar

 

Grizzly Bear – Shields

Na luta pela afirmação depois do sucesso do último disco, Grizzly Bear fazem Shields e provam que são muito mais do que um one-hit wonder. Shields vem consolidar o que já se vinha a prever com Veckatimestlançado em 2009. Os Grizzly Bear são uma banda de muita qualidade, com músicas que primam pela beleza de arranjos fantásticos onde tudo está limpo e arrumado. Apercebemo-nos imediatamente disso com Sleeping Ute, uma musica perfeita do princípio ao fim, onde a personalidade criativa dos Grizzly Bear atinge o seu auge. O disco tem um alinhamento bem trabalhado, onde todas as músicas jogam umas com outras. À medida que o vamos ouvindo e passamos por músicas como Yet Again, Half Gate, Simple AnswerSun in Your Eyes,   que proporciona um elegante final ao disco, damos conta da atmosfera criada pela estética e simplicidade das suas músicas. Shields funciona assim como um LSD que nos leva numa viagem pelo melhor da pop deste século.

Escolha e texto de João Churro

 

Jack White – Blunderbuss

Blunderbuss é o primeiro álbum de originais de Jack White a solo, depois dos vários projetos em que o artista esteve envolvido, sendo o mais conhecido a famosa banda White Stripes.

Ouvir Blunderbuss é uma descoberta constante, uma experiência verdadeiramente surpreendente e enigmática que a torna tão apetecível. Freedom at 21 e Sixteen Saltines relembram os tons que tornaram White num dos grandes artistas desta geração enquanto outros conferem uma diversidade musical fascinante, desde o jazz ao blues, num estilo nem sempre definido mas inspirador. O concerto que deu no verão de 2012 em Lisboa foi prova do seu sucesso no nosso país.

Se este não é o melhor disco de 2012, pelo menos mostra como as raízes e as influências de White se conjugam para originar uma viagem emocionante que o leva novamente no plano de uma música genuína, onde as fronteiras são constantemente ultrapassadas.

Escolha e texto de Simão Chambel

 

The Raveonettes – Observator

Os dinamarqueses The Raveonettes podem não ser cabeças de cartaz em grandes festivais, nem aparecer nas respeitadas listas de melhores do ano mas têm já uma bela carreira. Com assumidas influências de Velvet Underground ou Jesus and The Mary Chain, o duo composto por Sharin Foo e Sune Wagner tem feito de facto um percurso percurso discreto.

Este ano, celebrando o seu 10.º aniversário, editaram aquele que é já o seu sétimo registo de estúdio, Observator, um “shot of happiness“, que se ouve num fôlego. São cerca de 34 minutos bem medidos de rock à la anos 50 e pop irrepreensível com um toque de eletrónica capaz de nos chegar diretamente ao coração.

Sem um hit imediato – mas com Till the End a assumir-se como um “temaço” – Observator flui no meio das várias influências de The Raveonettes e tornam-no num disco fácil de amar, pelo som tom nostálgico, a delicadeza de algumas músicas e o calor de outras. Sem ser um registo de exceção tem, contudo, uma excelente fórmula para as crises que vivemos, pois soa confortável e familiar.

Escolha e texto de Alexandra Silva

 

Mark Lanegan – Blues Funeral

Blues Funeral, de Mark Lanegan, saiu bem cedo em 2012, no mês de fevereiro, mas não por isso deixa de ser um dos pontos altos deste ano musical que agora chega ao fim.

Depois do eletrizante Bubblegum, em 2004, Mark Lanegan apresentou em 2012 um álbum mais melancólico e atmosférico. Diferente de certa forma, mas que ainda assim reforça e aprofunda a sonoridade sombria e fantasmagórica, características bem vincadas do vocalista norte-americano.

Lanegan, senhor de uma voz pujante e estrondosa, consegue juntar em Blues Funeral temas tão diferentes como a trovejante The Gravedigger’s Song, a intimista St Louis Elegy ou a mais «triste» Phantasmagoria Blues.

Aliás, é precisamente nesse equilíbrio, entre canções mais calmas e outras mais rápidas, que reside o segredo deste grande álbum. Temas como a pujante Riot In My House ou a efusiva Quiver Syndrome retratam na perfeição a cor, a chama e o magnetismo da voz  do senhor que já tocou com os Queens of the Stone Age e que liderou os Screaming Trees.

Escolha e texto de Alexandre Colaço

 

 

Frank Ocean – Channel Orange


Channel Orange é, sem dúvida, um dos álbuns internacionais de 2012: R&B realmente bom, com uma voz distinta, Frank é um contador de histórias, afastando-se da banalidade em que as letras dentro deste género muitas vezes caem.

Entre o concreto e o abstrato, o álbum leva-nos a uma realidade decadente, miúdos ricos e disfuncionais – Super Rich Kids – drogas e consequências – Crack Rock –  sexo, um ambiente pesado que contrasta com o suave da sua voz.

Ocean conta com a colaboração do sempre genial Andre 3000 na belíssima Pink Mater; Earl Sweatshirt dos Odd Future entra em Super Rich Kids e Pharrell Wiliams colabora também na produção de Sweet Life, mostrando que se sabe fazer acompanhar.

Channel Orange é sexo, é amor com um toque trágico, ouve-se com a luz baixa e velas acesas.

Escolha e texto de Bárbara Sequeira

 

Gojira – L’Enfant Sauvage

2012 foi um ano profícuo em termos de música pesada. Tivemos lançamentos de uma variedade de nomes grandes como Neurosis, Kreator, Baroness, Converge, Sigh e Cattle Decapitation assim como estreias de Bloodshot Dawn e Murder Construct, entre muitos outros. Por essa razão, torna-se difícil escolher. A minha escolha recai no álbum a que mais vezes voltei: L’ Enfant Sauvage, dos Gojira. O quinto longa-duração destes franceses não prima exatamente por ser um passo em frente em relação ao anterior The Way of All Flesh, mas antes por uma refinação da sua fórmula death/groove progressiva. Contando com os préstimos octópodes de Mario atrás da bateria e o rugido de Joe, os irmãos Duplantier deixam aqui mais um testemunho de que os Gojira são uma das grandes bandas de Metal do século XXI.

Escolha e texto de António Moura dos Santos

Ty Segall – Twins


Twins foi o terceiro álbum (embora o único a solo) que o americano Ty Segall lançou no ano de 2012.

Twins é uma amálgama dos dois álbuns anteriores (Hair, com White Fence e Slaughterhouse, com banda, sob o nome de Ty Segall Band) e de outras misturas que resultam muito bem.

Pisa o pedal do fuzz e faz levantar uma parede de som que lembra aquelas dos shoegaze, mas com pouco que se assemelhe, enquanto dedilha riffs que se inclinam para o lado psicadélico do garage rock mais punk que marca a carreira de Ty Segall desde os primórdios, canções estas depois intercaladas por outras mais calmas e melodiosas, quase folk.

É um álbum que traz coisas novas ao tirar o pó às coisas velhas – tendência verificável em quase toda a música atual. Fazê-lo com qualidade é difícil e Ty Segall fá-lo com facilidade.

Escolha e texto de João Biscaia

 

Fiona AppleThe Idler Wheel…


O quarto disco da cantora é a prova de que quantidade não é qualidade. Foram precisos sete anos para o lançamento deste The Idler Wheel... e o resultado não podia ser melhor. O single Every Single Night ficou logo no ouvido. O quarto álbum é o mais pessoal de Fiona, leva o ouvinte por caminhos e pedras pessoais da artista. Jonathan é um bom exemplo disso, assim como Werewolf. 

The Idler Wheel… é para mim o melhor disco internacional do ano pelas composições extraordinárias, pelo som caraterístico da cantora a manter-se intocável e pela autenticidade da veia artística de Fiona.

Texto e escolha de David Pimenta

 

How to Dress Well – Totall Loss


Depois de Love Remains, o primeiro longa duração que Tom Krell concebeu enquanto How to Dress Well, muito ficou em aberto. Esse disco era uma fresquíssima experiência que fundiu o lo-fi extremo com a sensibilidade romântica de um R&B perdido no tempo. O resultado revelou-se único. Depois disso, restou o mundo para explorar. Tom não precisou de ir longe para encontrar inspiração: as circunstâncias menos positivas da sua vida foram as vicissitudes perfeitas para uma nova concepção musical: Total Loss. O disco de 2012 que comprova o R&B enquanto género passível de existir nesta década, sem estar pregado a personalidades inflamadas e a falsos conceitos. O disco segue um estilo bem mais polido que o registo anterior, não no sentido de despersonalizar, mas sim de fazer salientar as melodias tão bem concebidas que existem nestas músicas.

Escolha e texto de André Lopes

 

The XX – Coexist

Depois do álbum de estreia, aclamado pela crítica, os The XX provam, uma vez mais, a sua enorme capacidade de coesão e, sobretudo, de evolução. Coexist assegura um regresso feliz da banda britânica que estará por Lisboa ainda este ano.

Embora possa parecer que Coexist não foge muito a XX, o álbum de estreia, as letras são mais densas e maduras. Ainda que se note uma repetição na medida em que o colectivo continua a tentar provar que o silêncio pode ser um terreno para fazer música, existem profundas diferenças na música e na estética. Os singles Angels e Chains são os que mais se aproximam do primeiro álbum. Coexist pauta-se pelo detalhe e concilia esse aspecto com uma forte vertente minimal, que nos soa familiar. A sobreposição das vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim destacam-se nas melodias simples. Há algo de muito mágico e especial em composições como Missing ou Sunset. Um trabalho onde o indie pop ganha uma expressão consistente.

Escolha e texto de Fernando Cardoso, Beatriz Vasconcelos e Susana Pacheco

 

Grimes – Visions

Claire Boucher mostrou-se ao mundo durante o ano de 2010 e veio para ficar. Conhecida como a mulher “Kraftwerk”, faz, com a sua panóplia de máquinas instrumentais, música experimental electrónica que é incapaz de deixar qualquer um indiferente.

No álbum Visions partilha parte do seu coração em todas as músicas e assistimos à fusão da pop com o ambiente difuso e obscuro por ela recriado, da tecnologia e do humano no seu estado mais puro. Canções como Be a Body ou Skin mostram-nos o quanto este disco está focado no corpo e em tudo o que com que ele se relaciona. Já temas como Eight ou Oblivion revelam-nos todo o domínio eletrónico que Grimes possui, inundando-nos com uma onda futurista e simultaneamente sonhadora.

Escolha e texto de Catarina Mendes

GazaNo Absolutes In Human Suffering

Brutal, ainda que sem os aforismos semânticos costumeiros, é o que melhor descreve o No Absolutes In Human Suffering, dos norte-americanos Gaza. Uma descarga cáustica e rancorosa, materialização sórdida da mais pura bílis existente nos corações de Jon Parkin e companheiros. Lançado com o selo Black Market Activities, é já a quarta publicação da banda, terceiro longa-duração, após o EP East, de 2004, e os álbuns I Don’t Care Where I Go When I Die e He Is Never Coming Back, de 2006 e 2009, respetivamente.

Ainda que seguindo a diretriz ideológica já anteriormente veiculada, num anti-clericalismo vincado, surpreendentemente, a maturação do trabalho é visível, suplantando clássicos como Slutmaker ou He Is Never Coming Back, multifacetando os instrumentais, coadunando a experiência lírica à sonora, serpenteando entre o grindcore desenfreado, o sludge abrasivo e alguns apontamentos de hardcore, musculado e destrutivo, e mathcore.

Alargando, também, o espectro da mensagem, espraiando-se para a igualdade de género, com Winter In Her Blood, as falências do capitalismo, em Not With All The Hope In The World, ou, simplesmente, o conto mórbido e subversivo, como acontece em Mostly Hair and Bones Now, os norte-americanos editaram, assim, uma obra-prima da perfídia musculada, um arrasador retrato da realidade contemporânea, um certeiro murro no estômago dos corações indigentes, revelando uma Humanidade árida e decrépita. Brilhante.

Escolha e texto de Tomás Quitério

Lana del ReyBorn To Die

Lana del Rey foi a cantora revelação de 2012. Famosa nas redes sociais, o álbum Born to Die foi um sucesso imediato, apesar da crítica não ser consensual.

Os três primeiros singles do disco: Born To Die, Blue Jeans e Video Games, tornaram-se na imagem de marca da norte-americana, que transformou a angelical Lizzy Grant do YouTube para a nova Nancy Sinatra em modo gangster.

Inspirando-se em cantores emblemáticos como Elvis Presley, Lana del Rey é autora da maior parte das suas letras e destaca-se pela sua originalidade e fusão do estilo pop com influências de várias épocas. Born to Die um disco imperdível, agora com uma nova versão, intitulada Born to Die Paradise Edition.

Escolha e texto de Sara Alves