Em declarações à Lusa, duas tradutoras do grupo Leya afirmam haver atrasos nos pagamentos dos seus trabalhos.

O maior grupo literário de Portugal deve o pagamento de traduções feitas em julho e agosto por Leonor Marques e Mariana Avelãs de obras que estão no top nacional de vendas.

Leonor Marques, que já traduziu mais de 30 obras para o grupo, explicou que “o recibo perfaz 120 dias no dia 27-28 de dezembro, mas como já me disseram que o pagamento só iria ser efetuado em janeiro, o prazo será ultrapassado» demonstrando alguma indignação visto que este pagamento se refere ao trabalho de tradução de dois volumes de uma trilogia de sucesso de E.L. James, que está na tabela dos livros mais vendidos em Portugal.

Também Mariana Avelãs afirma ter pagamentos em atraso acrescentando que há mais trabalhadores nas suas condições. A tradutora mostra, à semelhança de Leonor, alguma indignação, afirmando que a crise é apenas um pretexto. “Como é possível que um grupo desta dimensão não cumpra e não pague. A crise é apenas um pretexto, porque nós também estamos em dificuldades”, disse Mariana lamentando que o grupo, enquanto não cumpre os prazos de pagamentos, atribua um prémio literário de 100 mil euros, sem hesitação.

Esta situação não é nova. Embora mais tarde regularizada, já em maio um grupo de trabalhadores tinha denunciado atrasos nos pagamentos das traduções para 90 dias. Pedro Garcia Rosado, um dos denunciantes, explica que até hoje não houve mais nenhuma proposta de tradução por parte do grupo editorial: “Infelizmente não me foi feita mais nenhuma proposta de tradução desde que na primavera deste ano eu e outras pessoas fizemos coletivamente pressão sobre a direção financeira para que fossem ultrapassadas as dificuldades de prazos e de comunicação então existentes”

Contactado pela agência noticiosa, o grupo não quis fazer qualquer tipo de comentário sobre o incumprimento.