A emissão da estreia em televisão do filme Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1, esta terça-feira na RTP1, teve um dos piores resultados de sempre para um filme da franquia, em qualquer horário ou canal. A estação pública pode queixar-se da medição de audiências, mas a maior queixa que pode fazer é de si própria.

A discussão é antiga e continua a fazer correr tinta: O serviço público não serve para dar audiências. Concordo que não é esse o seu objetivo primordial, mas sou da opinião que um bom serviço público deve ter audiência e ser reconhecido pelo público como um garante de qualidade, diversidade e inovação. É assim com a BBC, até com a TVE.

A emissão do sétimo filme da saga Harry Potter seria um sucesso de audiências em qualquer um dos outros canais abertos – provavelmente até na RTP2 faria melhor que 4,5% de audiência média e 8% de share. Exemplo disso foi a exibição do primeiro filme da saga, na SIC, já com mais de dez anos de idade, a ter mais audiência que qualquer uma das suas exibições anteriores na RTP1.

No entanto, a RTP1 investe dinheiro em filmes e séries americanas para as deixar ‘ao Deus dará’. A promoção ao filme foi fraca e mal feita. O seu alinhamento na programação foi o mais equivocado possível. A seguir a já terem começado todos os filmes da concorrência, depois da exibição dos habituais – e chatos – Anticrise e Decisão Final.

Não quero dizer com isto que a estação pública devesse fazer contraprogramação e ‘bater de frente’ com os filmes da concorrência privada, mas devia, até por respeito ao contribuinte, tentar compensar ao máximo o dinheiro investido na compra de direitos. Caso contrário e se for para ninguém ver, não vale a pena comprar.

O dia de Natal, por tradição, é um dia de programação diferente nas televisões portuguesas. Mas, num canal de serviço público, seria valeroso que todos os dias fossem dias diferentes, seria até importante que esta estreia, deste filme, pudesse ter sido feita em horário nobre, a seguir ao Telejornal, noutro dia em que os privados não emitissem filmes – num sábado, por exemplo. Não custava nada, seria cumpridor da diversidade prevista nas obrigações de serviço público e permitia aos portugueses terem a oportunidade de ver o filme pelo qual pagaram. E ainda se dava oportunidade ao José Carlos Malato para descansar…