Um relatório da Comissão Europeia (CE) alerta para risco de perda de grande parte dos filmes produzidos na Europa. Apenas 1,5%  do património cinematográfico europeu está digitalizado e pronto a ser exibido em equipamentos digitais. As cinematecas europeias, incluindo a portuguesa, ainda não estão adaptadas ao digital, não tendo as condições necessárias para preservar os filmes neste formato.

De acordo com a Comissão apenas uma mínima parte (1,5%) dos filmes estão digitalizados, permitindo aos cidadãos um acesso gratuito e comercial. “É ridículo que o nosso património cinematográfico seja invisível no século XXI”, declarou Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia.

A não-digitalização dos filmes deve-se ao insuficiente financiamento nacional  e privado, bem como aos complexos processos de obtenção e verificação dos direitos. “Uma parte dos nossos filmes está a perder-se para as gerações futuras e para sempre, tal como aconteceu com os filmes da era do cinema mudo, dos quais só 10% sobreviveram”, afirma o relatório.

A Cinemateca Portuguesa também é afectada por esta realidade; não tem hipóteses de exibir nas suas salas filmes em suporte digital porque não possui um projetor adequado para o fazer. Como se isso não bastasse o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) não possui os equipamentos necessários para tratar filmes digitais, impedindo o visionamento de filmes contemporâneos.