Depois de um intenso trabalho de dois discos por ano, B Fachada despediu-se ontem de Lisboa num concerto especial, na discoteca africana do Cais do Sodré, B.Leza.

B Fachada apresentou o disco novo, O Fim, e fez uma retrospetiva do trabalho realizado ao longo de seis anos. Com um início diferente, o público foi surpreendido por por João Dória, guitarrista d’Os Passos em Volta, que entrou em palco e tocou 20 minutos de seguida. A “música” não era certamente a mais adequada para aquele momento: com pouca estrutura, feedbacks e, de vez em quando, muita distorção, deixou o público confuso. Sem dizer uma única palavra entrou e saiu do palco. A plateia, num tom irónico, ainda gritou em coro “Só mais uma” mas não obteve resposta. Felizmente, suponho.

bfachada

Depois de algum tempo de espera, o provocador B Fachada entrou em palco e tocou seis músicas inéditas do disco O Fim, que será disponibilizado no final deste mês. Tocou todas de seguida sem grandes conversas. De volta às origens com letras afiadas, ao ritmo da braguesa, era difícil de não agradar.

Com a apresentação feita do novo e último disco, o artista volta aos sintetizadores para Quem quer Fumar com o B Fachada (agitando o publico) e dá início a um set de músicas do Criôlo, passando por temas como É Normal e Afro-Xula e acaba com Tendinite sempre bem acompanhado pelo público que, agora rendido, tinha as letras na ponta da língua e dançava ao som das músicas do disco.

Fazendo uma pequena pausa para trocar para a guitarra elétrica, cada um aproveita para puxar a brasa à sua sardinha e grita uma música diferente. B Fachada despacha-os com um “estão muito impacientes” e avança para o Kit de Prestidigitação seguido do Tema do Melancómico.

Despede-se do público e sai do palco, mas ainda era muito cedo para se ir embora; os fãs não se calaram e o Tio B também não demorou a voltar. Com o primeiro encore em força, com a Joana Transmontana e Mané-Mané, B Fachada agrada a todos e volta a sair de palco.

O segundo encore começa com a balada Não pratico Habilidades, seguida da controversa Deus, Pátria e Família, sempre bem acompanhado pelo público, que o safa quando a letra lhe escapa. Acaba com o hit Tó-Zé, tema lançado num disco de Natal em 2010.

Mas era o ultimo concerto e o público achou que tinha direito a mais. B Fachada, figura icónica da música portuguesa na última década (ou nos últimos anos), voltou com uma versão de Cabelo Branco é saudade de Alfredo Marceneiro.

A música não podia ter sido melhor escolhida para acabar o concerto, que marca o final do seu percurso como B Fachada. A certa altura a capella cantava os versos “Cinzas são as saudades / dos tempos que já lá vão”: foi um momento bonito que deixou todos sem palavras. O B Fachada vai deixar saudades aos que o adoram e aos que o odeiam.

À saída ainda ouvi um fã que em jeito de birra disse: “O Zappa nunca parou!”.

 

Texto por João Churro
Por não ter acreditação para este concerto foi impossível ao Espalha-Factos garantir reportagem fotográfica