No dia 13 de dezembro o cinema São Jorge abriu as portas para a terceira edição da Mostra do Cinema da América Latina. A Casa da America Latina promove mais uma vez a relação cultural entre Portugal e os países latino-americanos.

Habanastacion, o filme do cubano Ian Padrón foi selecionado para a abertura do festival que durará entre os dias 13 e 16 de Dezembro. Já no segundo dia da Mostra foram apresentadas La Jubilada, a primeira longa-metragem do realizador chileno Jairo Boisier e Hermano, a estreia de Marcel Rasquín, diretamente da Venezuela.

La Jubilada – 7/10

Fabiola regressa à terra natal, após vários anos a protagonizar filmes pornográficos na capital. A sua chegada à vila vai mudar o rumo da vida dos seus habitantes. A adaptação torna-se difícil, pois tem de ganhar a confiança do seu pai e irmã, bem como ultrapassar as chantagens e explorações do seu antigo “amigo” Moisés. Apesar de tudo refugia-se na amizade inocente de um adolescente, que é o único capaz de aceitar o seu passado e de construir o seu futuro.

Embora a temática do filme seja promissora, a forma como foi filmado ficou aquém das expetativas. Os planos fixos gerais, tornaram as cenas menos intimistas não criando a ligação necessária entre o espectador e as personagens. A ação extremamente lenta, aliada a um ritmo igualmente desacelerado transmitiu pouca dinâmica no desenrolar da história.

Por incrível que possa parecer a personagem do pai de Fabiola foi desempenhada na perfeição e, em contrapartida, a protagonista interpretou o seu papel com menos intensidade. A atriz não foi convincente na sua prestação e consequentemente prejudicou a qualidade do filme.

Um dos aspetos mais positivos do filme foi os princípios e as tradições muito característicos dos países da América Latina. O sonho de ter filhos e a ideia do homem que sustenta o núcleo familiar está muito presente no filme através do pensamento das mulheres que relatam os seus objetivos de vida. A cena mais emocionante da história dá-se no primeiro encontro entre Fabiola e o adolescente. Por meio de adivinhas, os dois iniciam uma relação de amizade única, em que as palavras por vezes nem são precisas.

Com um final aberto e deixando muito por dizer, La Jubilada é um filme que mostra a realidade e a mentalidade chilena, que ainda tem muitos tabus em relação à sexualidade e à emancipação feminina, principalmente em meios pequenos onde tudo se sabe.

A 3ª edição da Mostra do Cinema da América Latina continua com mais filmes e muitas surpresas. A politica esteve em destaque no terceiro dia da Mostra com as obras Bosch: Presidente de La Frontera Imperial de um dos realizadores mais inovadores da República Dominicana; Juan y Eva, a longa-metragem histórica sobre a Evita Perón da realizadora e bailarina argentina Paula Luque e Hoje da brasileira Tata Amaral, que se debruça sobre a ditadura militar de 1964-1985.