Depois do grande sucesso com a trilogia O Senhor dos Anéis, lançados entre 2001 e 2003, o novo filme da saga com o nome O Hobbit: Uma Viagem Inesperada, realizado e produzido também por Peter Jackson, oferece uma história rica em efeitos visuais propositadamente elaborados para a tecnologia 3D dos cinemas e extremamente pobre em conteúdo, sem um forte êxtase ao longo das quase três horas de duração. A primeira parte da aventura de Bilbo Baggins não tem assim tanto de extraordinário se se olhar para a missão do seu familiar Frodo – e as referências à trilogia fazem-se sentir neste novo filme. O Hobbit: Uma Viagem Inesperada estreia hoje nas salas de cinema portuguesas.

A nova história recua 60 anos dos acontecimentos da trilogia O Senhor dos Anéis. Começa novamente no vale Shire, quando o feiticeiro Gandalf propõe ao hobbit Bilbo que se junte a ele e a um exército de treze anões para conquistar a Montanha Solitária, o anterior lar dos anões conquistado pelo dragão Smaug. À medida que as três horas de filme passam nada de grande importância acontece para a conquista do reino, simplesmente algumas batalhas que as personagens vão travando ao longo do caminho para a Montanha Solitária e, quando menos se espera, o suposto protagonista, Bilbo Baggins, acaba por perder a atenção do espetador.

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Todas as outras personagens contêm algo de especial – a determinação de Gandalf em ajudar os anões a reconquistar o reino e a aparecer nos momentos oportunos, a coragem do anão Thorin para derrotar os inimigos que tomaram o reino dos seus antepassados ou em proteger os companheiros da ameaça que os elfos representam, ou todos os outros anões da companhia com as suas personalidades vincadas – e o protagonista Bilbo não passa de um acessório ao longo de todo o filme com uma exceção nos últimos minutos. Dotado de um medo estupidificado à medida que o tempo passa, nem, a meio, a ação com Gollum, a tão conhecida personagem da trilogia, consegue dar-lhe todo o protagonismo que merece.

A ação ao longo da primeira parte deste O Hobbit parece concentrada numa única fórmula, sem altos e baixos: com pequenos êxtases durante as três horas – como a batalha com os ogres ou com Azog, um orc branco e inimigo do anão Thorin por ter tentado conquistar a Montanha Solitária anos depois de os anões terem perdido as terras – mas sem nada para realmente se destacar.

Mas nem tudo no filme é razoável, nem todos os momentos ficaram aquém da qualidade que se esperava num filme do universo de J.R.R. Tolkein. As referências aos filmes da trilogia são os melhores momentos na nova obra do realizador Peter Jackson. São várias as personagens que trazem memórias ao espetador: os elfos Elrond e Lady Galadriel, que se reúnem com Gandalf para discutirem a missão dos anões, assim como Saruman, o Branco, com a missão de dissuadi-los de realizarem a jornada.

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O momento entre Gollum e Bilbo não contém absolutamente nada de especial, a não ser o aparecimento do objeto tão cobiçado nos acontecimentos de O Senhor dos Anéis – o anel. Um destaque vai também para a personagem Radagast, o Castanho que traz tantas questões sobre as mudanças a ocorrer na história e que o espetador fica sem resposta no final.

O Hobbit: Uma Viagem Inesperada não traz nada de grandioso ao mundo do cinema e ao universo de J.R.R. Tolkein, passado para os ecrãs do cinema por Peter Jackson. A primeira parte desta história não passa de um mero aperitivo sem os condimentos necessários para ser um sucesso nas salas de cinema. No próximo ano é lançado The Hobbit: The Desolation of Smaug e no verão de 2014, a última parte intitulada The Hobbit: There and Back Again.

5.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Hobbit: An Unexpected Journey

Realizador: Peter Jackson

Argumento: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro baseado na obra The Hobbit de J. R. R. Tolkein

Elenco: Ian McKeller, Martin Freeman e Richard Armitage

Género: Aventura, Fantasia

Duração: 169 minutos