Joe Wright volta aos cinemas com Anna Karenina e entrega-nos uma visão arrojada do clássico literário de Tolstoi, explorando um amor trágico em pleno Império Russo.

Anna Karenina (Keira Knightley) é uma aristocrata na Rússia Czarista que, numa viagem a Moscovo, acaba por conhecer o jovem Conde Vronski (Aaron Taylor-Johnson) o que a leva a pôr em causa toda a vida que levou até então ao lado do seu marido Karenin (Jude Law) e a esquecer todas as suas obrigações para com o seu casamento.

Face às restrições orçamentais que o estúdio fez ao filme, Wright consegue fazer talvez o impossível ao dar asas à sua imaginação e ao recriar um Anna Karenina com uma visão totalmente nova e arrojada, mesmo sabendo que podia dar para o torto. O realizador coloca assim toda a ação do filme num palco de teatro, o que para o espetador é algo de novo e interessante de ver as constantes mudanças de cenários, os movimentos quase coreografados dos figurantes, a forma como pequenos objetos no set nos empurram para uma nova realidade na ação, tudo isto tornou esta obra em algo maior do que apenas “mais um filme de época da Keira”, tornou-o mais único e inovador, algo que ultimamente tem faltado em Hollywood.

No entanto o filme acaba por tropeçar nele próprio quando tenta conciliar o ritmo frenético a que anda com a suave história de amor que tenta transmitir, não deixando quase espaço para o espetador contemplar esta que, afinal, é das mais trágicas e bonitas histórias de amor na literatura russa.

Mas não é só a questão de se passar num teatro que faz de Anna Karenina um filme especial, toda a ambiência criada pela fabulosa direção de arte e o luxuoso guarda-roupa, referindo ainda a banda-sonora criada por Dario Marianelli, que já nos tem habituado a grandes trabalhos como o que fez para Expiação, que consegue trazer emoções quase paradoxais ao espetador, sendo ao mesmo tempo subtil e suave, acompanhando o início da história de amor entre Karenina e Vronski, como frenética e asfixiante, espelhando a tragédia e a demência da relação.

O elenco no geral esteve razoável, Keira foi quem mais se destacou com a sua forte, mas ao mesmo tempo frágil, Anna Karenina. No entanto, como segundo protagonista, Aaron Taylor-Johnson deixou um pouco a desejar, notando-se ainda uma ligeira diferença entre o seu trabalho e o de Jude Law, por exemplo. Domhnall Gleeson e Alicia Vikander foram duas boas surpresas no elenco.

Anna Karenina tem os seus erros, sim. Mas rápido nos abstraímos deles graças a toda a envolvência que o filme vai criando com o espetador que faz com que as duas horas de visualização pareçam uns meros minutos.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Anna Karenina

Realizador: Joe Wright

Argumento: Tom Stoppard, baseado no romance Anna Karenina de Leo Tolstoi

Elenco: Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson

Género: Drama, Romance

Duração: 129 minutos