A história começa assim: Uma vez, Miss Lava e O Bisonte estavam a passear por Lisboa e chegaram, numa sexta-feira, dia 30 de novembro de 2012, ao Musicbox. Miss Lava convidou O Bisonte a entrar e juntos fizeram planos para montar um espectáculo que tinha todos os ingredientes para se tornar numa noite pesada, de heavy-rock e cheia de força musical.

O Bisonte veio de muito longe, lá de cima do norte, da cidade do Porto. Na bagagem, a banda que participou no Rock Rendez Worten 2010, trouxe a garra e a energia que caracteriza o som do quarteto liderado pelo vocalista David Lobão. A entrada em palco foi feita com palavras de ordem, frases ditas a capella que prenderam a atenção do público, que se chegou à frente quando as luzes baixaram e o cenário ficou mais escuro.

A grande disponibilidade com o microfone e a boa união instrumental torna O Bisonte num animal de palco. Os sons são a rasgar e sem parar de modo a assegurar um espectáculo quente e agitado. Aqui e ali um ou outro devaneio mais instrumental e espaçoso cria uma vertente mais intimista. A banda natural do Porto impõe uma mudança de ritmos alucinante mesmo quando um já é puxado o suficiente e vem outro mais forte a seguir sem se perder a coesão do grupo. O tema Laia é o espelho do poder de O Bisonte que deu o mote inicial para o resto da noite.

No Musicbox, os Miss Lava trouxeram não só O Bisonte (banda) para tocar com eles como também trouxeram um bisonte eles próprios para cima do palco durante o concerto. Ou seja, o som dos Miss Lava é por si só um animal de peso, possante, um verdadeiro mamífero digno de paisagens norte-americana mais inóspitas. Ora, e por falar em paisagens norte-americanas, é preciso enaltecer o gosto dos Miss Lava pelo deserto do Oeste dos EUA evidenciado no videoclip do single Ride. Mas não é só em vídeo que os Miss Lava se transportam para o deserto. A música do quarteto lisboeta inclui muitas componentes e características mágicas do desert-rock e do stoner-rock que emergem de bandas como os Kyuss, Queens of the Stone Age, Fu-Manchu ou Nebula.

Os Miss Lava estão em fase de apresentação do novo álbum, Red Supergiant, e que bela adição ao som da banda traz este segundo trabalho de originais. O tema Feel My Grace é um bom exemplo de um excelente e cativante riff de guitarra aliado com um bom refrão. O concerto dos Miss Lava é um exercício para o público receber as ondas sonoras que chegam com força e brutalidade. Começa na guitarra e depois é atirar com uma linha de baixo com distorção e isso resulta bem.

Ride foi o primeiro tema a ser revelado do novo disco e é aquele que sobressai mais pela boa junção de todos os elementos da banda. Ao vivo, a música é poderosa e cheia de energia. Mas há outras músicas do novo disco que funcionam também muito bem em concerto. Catch the Fire é aquela que pede para o público acompanhar na letra do refrão e Crawl é simplesmente um desabrochar de sons poderosos e não tão caóticos.

Apesar da boa vertente de desert-rock que está presente nos Miss Lava, muito graças à distorção na guitarra e do fuzz aplicado no baixo, o som que a banda impõe acaba por ser ao vivo mais rápido e frenético do que o típico stoner-rock. Isso não é mau, mas talvez se perca um pouco daquela mística da imensidão do deserto e do psicadelismo dos solos de guitarra que acompanham o percurso.

Mas isso não é problema, pois no deserto também há velocidade e explosões e os Miss Lava já explodiram, saltando do deserto para o espaço e viajam agora por estrelas gigantes. Red Supergiant reflecte isso mesmo, que os Miss Lava estão grandes em volume, seja no som ou nas ambições, a banda lisboeta mostra que consegue levar para o palco toda a força e poder das músicas do novo álbum.