Os Black Keys estrearam-se terça-feira em Portugal num concerto de apresentação do seu mais recente álbum, El Camino, que tem catapultado a banda, cada vez mais, para o caminho da fama. O Pavilhão Atlântico encheu-se para uma hora e um quarto de rock n’ roll, numa noite que não agradou a todos.

Depois de um aquecimento eficiente pelos britânicos Maccabees, um dos grandes problemas do concerto manifestou-se logo no seu início, com o tão esperado tema de Brothers, Howling For You, a ser tocado sem a voz do vocalista e guitarrista Dan Auerbach, numa altura em que a multidão estava completamente entusiasmada e envolvida com a melodia.

No entanto, a dupla de Ohio conseguiu ultrapassar esta dificuldade inicial com uma Next Girl perfeitamente audível, apesar de a acústica da sala ser normalmente criticada, principalmente por causa do demasiado eco. Na perspetiva do Espalha Factos, os Black Keys conseguiram inverter esta tendência na maior parte dos momentos do concerto, devido a um sistema de som competente, e à voz tocante de Auerbach.

De qualquer das formas a festa continua no Pavilhão Atlântico, principalmente quando se ouvem os primeiros acordes da explosiva Gold on The Ceiling, complementados por um dos vários “Come on” proferidos pelo vocalista, numa tentativa bem sucedida de motivar o público, por si só suficientemente extasiado.

Seguiu-se um momento intimista em que o duo de Ohio se apresentou sem os restantes colegas com os quais tinha gravado os últimos álbuns: ”Nós os dois vamos tocar agora algumas músicas”, anunciou Dan Auerbach. Este foi um dos mais impressionantes momentos do espetáculo, em que observámos a química da banda e um sentimento verdadeiro em tocar os seus temas. Esta ocasião valeu para os fãs dos temas mais antigos, mas também para quem queria ver os Black Keys no ambiente em que perfeitamente se enquadram: revivendo as suas paixões pelo blues e pelo rock, combinados num só estilo, que caracteriza a sua linha composicional.

Depois de uma poderosa Your Touch, Little Black Submarines leva o público novamente ao delírio, com aquele que se tem tornado um dos grandes singles de El Camino. Outro destaque vai para algumas variações a músicas originais que indiciaram versatilidade e verdadeiro espetáculo para os ouvidos, especialmente nas músicas Girl is on My Mind, e na incrivelmente inspiradora Tem Cent Pistol.

Muitos agradecimentos se seguem ao longo da noite, complementados especialmente pela linguagem dos instrumentos que, de uma maneira distinta, vão apresentando o estilo do grupo. Porém, Dan sente a necessidade de elogiar o público português, e isso nota-se em vários momentos: “Oh, que belíssima multidão”, proclama entusiasmado o músico.

Já um pouco antes do encore, o vocalista pede o apoio de toda a plateia para aquela que seria a música final. É a altura de irromper Lonely Boy que atinge a multidão com o impacto expetável. As reações à música são as mais variadas (há quem procure reproduzir a coreografia do videoclip) mas cada uma delas é pura excitação.

O encore traz-nos Everlasting Light e I Got Mine, tal como a esperança de um futuro concerto: “Nós vamos definitivamente voltar”. Pela energia e incasabilidade transmitidas em palco, este é um espetáculo que surpreende pela sua curta duração principalmente para uma banda que já tem sete álbuns editados.

Os que esperavam os Black Keys que tocavam músicas por apenas dez dólares podem ter ficado um pouco descontentes com o concerto. No entanto, os próprios dizem que seria ridículo mudarem o seu estilo e a sua atitude, e foi isso que vieram provar, pela primeira vez em Portugal num concerto equilibrado, com muita energia e movimento mas com a tranquilidade dos blues que todos apreciamos.

Fotografias cedidas por Rita Sousa Vieira / SAPO On The Hop