O título que dá início a este texto podia ser diferente de muitas formas ou fazer referência a muitas outras coisas. No entanto, decidi que era interessante ligar a banda em si, os Dead Sara, com um estilo muito próximo que os caracteriza e que faz a ligação para uma era musical que todos nós podemos identificar, gostando ou não.

Os Dead Sara são uma banda recente, lançaram este ano o primeiro disco de originais e começaram neste verão passado a dar os primeiros concertos. São quatro jovens, dois rapazes e duas raparigas, oriundos de Los Angeles, nos EUA e que têm captado a atenção de muita gente, inclusive dos MUSE, com quem vão estar em digressão no próximo ano.

O álbum de estreia homónimo dos Dead Sara é, até ao momento, a única amostra do som que define e carateriza a banda. Ora e é isso mesmo que me levou a começar toda esta crítica com a referência a um estilo musical muito próprio. Ou seja, estou a falar dos anos 90, do grunge, do rock de melodias e dos riffs dos Pearl Jam e dos Nirvana, assim como da força e pujança dos Rage Against the Machine e dos Audioslave. E daí a palavra «familiar» no título, pois os Dead Sara têm essa característica que remonta para esse estilo de música, essa década, esse movimento e esse rock que todas essas bandas nos habituaram.

O primeiro tema no alinhamento de Dead Sara é Whispers & Ashes e pode-se dizer que esta música marca o ritmo para o resto do álbum. Há qualquer coisa de novo e fresco nesta banda. Algo que sobressaia da união e sintonia de cada elemento da banda, como se eles já fizessem isto há muito tempo. Essa intimidade musical acentua-se à medida que se vai ouvindo o resto dos temas que compõem o álbum.

We Are What You Say e o single Weatherman são duas músicas mais rockers que demonstram uma força singular que é transmitida essencialmente pela vocalista Emily Armstrong, mas não só. Os riffs da guitarra de Siouxsie Medley, o outro elemento feminino da banda, relembram exactamente esses tempos de poder destrutivo dos Rage Against the Machine e dos Audioslave.

A base rítmica dos Dead Sara é uma máquina bem oleada. Sean Friday na bateria e Chris Null no baixo mantêm um groove percursivo e robusto em temas como I Said You Were Lucky e Monumental Holiday. A força vocal e o talento avassalador da vocalista Emily Armstrong sobressai quando a música por trás acompanha em refrões mais puxados e agressivos.

Apesar de toda a fúria e garra que os Dead Sara demonstram, há também temas mais calmos e intimistas. Dear Love e Face to Face têm boas melodias e quase dão para dizer que Emily Armstrong podia enveredar por uma carreira musical mais virada para o country ou pop e seguir as pisadas de cantoras como Sheryl Crow e Alanis Morissette. Ainda assim, o som dos Dead Sara recai principalmente na pujança musical e na barreira de som criada pelos quatro elementos da banda.

Test On My Patience é um bom exemplo da explosão vocal de Emily que funciona tão bem em sintonia com a guitarra de Siouxsie numa rapidez frenética de sons e ritmos dinâmicos. A dupla feminina é claramente uma atração interessante. Timed Blues é uma bom tema, com boas letras, aliás como também acontece na maioria das músicas do disco. Lemon Scent é supostamente uma crítica a um determinado estilo e grupo de pessoas mais elitistas de Los Angeles. Uma espécie de grito de guerra contra uma desprezar social, bem ao jeito de temas com conotações sociais como tão bem os Pearl Jam fizeram.

Ao todo, o álbum homónimo dos Dead Sara é um óptimo disco que prende quem o ouve. É possível ficar com aquele sentimento de descobrir realmente algo novo que mais ninguém conhece e começar a gostar cada vez mais das músicas ao ouvi-las repetidamente.

Os Dead Sara estão agora a começar no mundo da música e pelos vistos estão no bom caminho. Se calhar não vai ser por muito tempo que eles vão ser uma daqueles bandas que só poucos conhecem e apreciam. A digressão com os MUSE em 2013 é uma oportunidade para o entrar no estrelato internacional.