O novo disco de Alicia Keys, Girl On Fire, é lançado no dia 26 de novembro pela RCA Records. O sucessor de The Element of Freedom mostra agora uma artista verdadeiramente livre, depois da passagem por um casamento (com o produtor Swizz Beatz) e do nascimento do filho. Com Girl On Fire, Alicia tenta mostrar ao longo de onze músicas o significado do verdadeiro amor.

Ninguém pode pedir mais provas à cantora para mostrar o seu lugar no mercado musical ou sequer para mostrar o seu talento. É desde o lançamento do primeiro disco, Songs in A Minor, que Alicia Keys prova o talento como compositora e também como produtora. Os créditos de produção pertencem à cantora em conjunto com outras personalidades desde o segundo trabalho, intitulado The Diary of Alicia Keys, lançado em 2003. A sonoridade de Keys é mais do simples música pop, destinada a um mercado constituído por milhões de pessoas. Mesmo com a legião de admiradores conquistada ao longo dos anos, a artista apresentou nos discos e soube defender a sonoridade R&B e cada vez mais Soul ao longo dos anos.

De Novo Adagio dá uma pequena amostra da beleza que espera o ouvinte neste novo disco. Trata-se de um renascimento, de um novo ser humano depois de tantos acontecimentos. É a intenção apresentada em Brand New Me, a segunda canção do disco (que podes ouvir mais em baixo). Com um piano a acompanhar, habitual em todos os trabalhos da cantora, é apresentada uma nova mulher nesta balada. (“It’s been awhile/ I’m not who I am before/ You look surprise/ Your words don’t burn me anymore/ (…) Don’t be mad/ It’s just a brand new kind of me”.)

O disco não contém surpresas, nenhuma sonoridade que ganhe destaque pela diferença. Pelo contrário são apresentadas canções com capacidade de oferecer alguma intimidade, graças à familiaridade dos sons. É o caso de When It’s All Over e Listen To Your Heart. Esta segunda a trazer uma direção mais dançante, enquanto Alicia Keys canta para os seres humanos ouvirem o coração, um pedido considerado como natural graças à sonoridade da música (“He says take a chance/ Listen to your heart/ You say I’m a little bit scared).

A força de uma nova rapariga em chamas, utilizando agora o título do disco à letra, é evidenciada com New Day, com mais estilos mais fortes a roçar a dança, e também Girl On Fire. A música, também título do álbum, começa estupidamente com a presença de Nicki Minaj. Presente em tudo o que é trabalho musical, a rapper não dispensa presença numa única canção como se tem verificado nos últimos tempos – no MDNA de Madonna, em Beauty and a Beat de Justin Bieber, no Turn Me On de David Guetta, entre tantos outros.

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Não se consegue um bom resultado ao juntar Alicia Keys e Nicki Minaj num trabalho. A única sensatez escutada nesta canção são os poucos segundos guardados para a rapper no início e no fim. Uma mensagem de força feminina é repetida constantemente com um “This girl is on fire”, força essa sentida pela voz da artista e os vários berros.

O novo álbum de Alicia é uma prova de que não só os discos concebidos para as pistas fazem sucesso estrondoso nas tabelas de vendas e nas rádios. A partir de Girl On Fire, o disco acalma serenamente. O dueto com Maxwell, em Fire Me Awake, dá início a um conjunto de baladas cheias de qualidade.

Os destaques repartem-se nas canções Not Even The King e That’s When I Knew. Na primeira canção, a artista canta mais uma vez sobre amor e a falta de importância do dinheiro (“I don’t care what they’re offering/ How much gold they bring/ They can’t afford what we got/ Not even the king”). Sempre que a senhora Keys se senta ao piano e deixa os dedos deslizarem pelas teclas existe uma intimidade de maiores dimensões com o que canta. That’s When I Knew é uma carta de amor ao marido da artista (“That’s when I knew I fell in love”/ That’s when I knew you’re the one”).

Apesar da falta de ritmos mais entusiásticos em Girl On Fire acaba-se surpreendido por Limitedless, graças à sonoridade reagge, indicada para uma pista de dança. A surpresa prende-se também com a última canção, 101. O poder majestoso da cantora sentada ao piano é fortemente sentido com o final do disco, com sensações a entrar no corpo e a viajarem à medida que se ouve unicamente a voz de Alicia e as teclas do piano.

Girl On Fire soa a uma orquestra no início, tenta depois levar o público para a pista de dança – ainda o consegue com New Day e Girl On Fire – e acalma para todos se sentarem para assistir à obra de arte.

Não existem surpresas ao longo de todas as canções, é essa a raiz de todo o veneno, em conjunto com a inclusão de Nicki Minaj, apesar de terem sido poucos segundos numa canção. Mesmo num disco de R&B existem ritmos mais atrativos – como foi o caso do 4 de Beyoncé ou do disco I Remember Me de Jennifer Hudson – e é isso que falta a Alicia Keys desta vez. Em poucas palavras sobre este disco: as baladas ainda vivem nas rádios.

Ouve aqui a canção Brand New Me:

Classificação final: 7/10