É A Oeste de Memphis que tudo acontece, um caso polémico, que mostra como a (in)justiça funcionou num caso de assassinato. O nome de Peter Jackson como um dos produtores dá uma visibilidade ainda maior a este documentário, que, apesar de forte, detém um tom especialmente parcial.

Começando com uma análise incisiva da investigação policial de 1993 sobre o assassinato de três rapazes de oito anos Christopher Byers, Steven Branch e Michael Moore na pequena cidade de West Memphis, no Arkansas, o filme revela novas provas acerca da prisão e condenação de outros três jovens acusados deste crime chocante – Damien Echols, Jason Baldwin and Jessie Misskelley. Os três eram ainda adolescentes quando se tornaram alvo da investigação policial; perderam 18 anos das suas vidas, presos por um crime que, veio-se mais tarde a descobrir, não cometeram.

O documentário é em si parte da luta de Damien Echols, o único dos três condenado à morte, para salvar a sua própria vida. O filme mostra quão perto ele, a sua mulher Lorri Davis, a sua equipa de advogados, amigos e apoiantes estiveram de perder esta batalha. Ao passar 18 anos no corredor da morte, Echols afirmou “ao enfrentar tal horror, ao passar por tanta dor e sofrimento, não se pode desistir… nunca se deve desistir”.

Ao longo das cerca de duas horas e meia de filme, A Oeste de Memphis apresenta-nos, cuidadosa e exaustivamente, todo o caso do assassinato das três crianças. Somos introduzidos e colocados no local do crime, junto dos familiares das vítimas, partilhando inicialmente a sua indignação com a brutalidade do sucedido. De seguida, vão-nos sendo introduzidos novos dados e a certeza de uma série de imprecisões, ocultação de factos, que só levam a crer que foram presos três inocentes. Daí para a frente, ficamos a par das novas investigações e desenvolvimentos.

Certo é que tudo o que nos é contado está muito completo e bem justificado. Há imagens de arquivo dos julgamentos, das investigações, gravações audio e vídeo de interrogatórios, manchetes da imprensa da época, fotos e provas do crime, desde 1993 até à mais recente conclusão do caso. Não se descura sequer uma exemplificação empírica de explicações para alguns dos factos registados na época – por exemplo, quando se fala sobre a espécie de tartarugas que habita naquele local.

Aliados aos arquivos, A Oeste de Memphis recorre, principalmente, a testemunhos, da época dos crimes e à medida que a investigação avança, que vão contradizendo a versão inicialmente apresentada. Fala-se com Damien Echols na prisão, e com a sua mulher, ao longo dos anos activa para provar a inocência do marido. Há ainda depoimentos de apoiantes dos três condenados, onde nos deparamos com caras bem conhecidas como o próprio produtor do documentário, Peter Jackson, o actor Johnny Depp ou o músico Eddie Vedder.

Antes de mais, não se deve esquecer em momento algum que este documentário é parcial e defende de forma notória os três jovens injustamente acusados pelo crime de 1993. A própria presença de caras conhecidas no filme demarca a vontade de conquistar a simpatia do espectador. Não que isto seja mau, mas, a certo momento, há acusações que ficam implícitas e não provadas, e esse tom de parcialidade torna-se incómodo.

Já tecnicamente, a imagem e o som são pontos de destaque, concebidos da melhor forma a prender a atenção e conseguir transmitir ao espectador o desconforto que toda a história transmite.

A Oeste de Memphis é um documentário forte e que merece ser conhecido e dar a conhecer como a injustiça, por vezes, impera e, por mais óbvias que as provas sejam, o mais importante parece ser encontrar os culpados no menor tempo possível. Tão chocante como o crime em si, foi o tratamento que foi dado aos três jovens que perderam 18 anos da sua vida na prisão injustamente.

7/10

Ficha Técnica:

Título Original: West of Memphis

Realizadores: Amy Berg

Argumento: Billy McMillin, Amy Berg

Género: Documentário

Duração: 147 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.