O sétimo álbum da cantora é lançado na segunda-feira, um ano depois do antecessor Talk That Talk. Com o nome Unapologetic, o novo disco oferece uma confusão de sons, ausência total de coesão ao longo das 14 canções e o sentimento de que Rihanna deve parar e descansar durante alguns anos. Mas isso não está previsto nos planos da artista, já que embarca na digressão Diamonds World Tour, que passa em Lisboa a 28 de maio de 2013.

Novembro é o mês de Rihanna. A artista lança anualmente um novo disco desde 2009 e assim consegue manter os singles nos primeiros lugares das tabelas de vendas. O genial Rated R (2009), seguido por Loud (2010) e Talk That Talk (2011) foram lançados neste mês e mostram o quão bom é para um artista parar um pouco ao longo da sua carreira para manter a qualidade artística. Os conceitos, a componente lírica e as sonoridades oferecidas pela cantora ao longo dos últimos anos estão a perder qualidade e Unapologetic é a cereja em cima do bolo do quão terrível pode ser um disco.

Comecemos pela décima música do álbum, Nobody’s Business, que conta com a participação de Chris Brown. Para os que menos conhecem o percurso da artista, mesmo antes do lançamento de Rated R, a relação entre estes dois músicos ficou conturbada pelo caso de violência doméstica. Fotografias de Rihanna completamente ferida no rosto apareceram em público e a carreira de Chris Brown estava praticamente terminada. Tal como tantos outros casos polémicos teve o seu prazo nos meios de comunicação social prolongado.

É realmente estranho ouvir a cantora neste novo álbum cantar “Me and you, get it?/ Ain’t nobody’s business/ Said it, ain’t nobody’s business”, seguido de declarações de Brown a declarar o seu amor por Rihanna. Pelos vistos existem contos de fadas, mesmo que envolvam agressões, que terminam bem. Mesmo sendo uma boa música para as rádios, com a sonoridade coesa, torna-se importante saber o contexto para a interpretação da mensagem de Nobody’s Business.

Voltemos ao início do álbum, que começa com Presh Out The Runway. Distorções na voz misturadas com os sons eletrónicos à medida que Rihanna não canta absolutamente. Conteúdo vazio que é seguido pela melhor música de Unapologetic, intitulada Diamonds. Escrita pela talentosa Sia Furler, trata-se de uma balada depressiva com algum brilho nas entrelinhas (“Find light in the beautiful sea/ I choose to be happy/ You and I, you and I/ We’re like diamonds in the sky”) e tratou-se da melhor escolha como lançamento do primeiro single, apesar de ter enganado a maioria das pessoas sobre a qualidade deste novo disco.

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A ausência de coesão continua com Numb, que inclui a participação de Eminem, em que se ouve repetidamente “I’m going numb” – demasiadas vezes. Estão longe os dias de canções como Love the Way You Lie, aliás referenciada pelo rapper na música. A caída no asfalto continua com Power It Up, a aproximar-se de um hip hop sem qualidade, e com Loveeee Song a retratar uma relação de amor minimamente insegura (“I don’t wanna give you the wrong impression/ I need love and afection/ And I hope I’m not sound too desperate”).

É através de Jump e Right Now que se nota o desespero de Rihanna em experimentar todos os sons num disco. Enquanto a primeira canção aposta num dubstep extremamente agressivo para um disco de pop, Right Now soa a uma produção falhada de David Guetta e o campo lírico não passa de um tremendo cliché, igual a tantas outras músicas que passam na rádio. Não é uma música de qualidade tal como foram S&M, We Found Love ou Where Have You Been de discos lançados anteriormente. Se há frase que a cantora devia aprender é que qualidade não é sinónimo de quantidade.

No meio de tanto lixo aparece ainda uma pérola, tal como Diamonds. Stay, que conta com a participação do cantor Mikky Ekko, é uma das melhores do disco. Uma balada com sentimento, longe da superficialidade sentida em Rihanna nos últimos três discos (“Not really sure how to feel about it/ Something in the way you move/ Makes me feel like I can’t live without you/ I want you to stay, stay”).

Todas as músicas restantes não têm qualidade. Diria mesmo que a No Love Allowed é uma versão suave de Man Down, presente em Loud (2010). Se continuar a este ritmo, a artista começa a fazer plágio da sua própria obra.

Unapologetic está longe de ser uma obra de arte da música pop. O que demonstra a todos os admiradores da cantora é a necessidade de Rihanna parar durante algum tempo para encontrar inspiração. São demasiadas canções sobre nada, sobre o amor obsessivo e idiota por Chris Brown e sobre pistas de dança. Ter um lugar no universo da Pop não é conquistado pelo número de discos lançados. Rihanna devia olhar para o exemplo das colegas: o tempo de espera para o novo disco da Lady Gaga vai ser de dois anos, Katy Perry ainda não lançou um novo disco de originais desde 2010 e a Kesha vai lançar o novo trabalho, Warrior, em dezembro – dois anos depois de Cannibal.

Vê o teledisco de Diamonds, o primeiro single do disco.

Classificação final: 2/10