Lana Del Rey alcançou o estatuto de estrela no mundo musical depois do lançamento do seu primeiro disco, Born To Die, no início deste ano. Vendeu mais de dois milhões de cópias e mais de quatro milhões de cópias no que respeita aos singles lançados, como Blue Jeans, National Anthem ou Summertime Sadness. Portugal recebeu-a no palco principal do festival Super Bock Super Rock em julho. Hoje é colocada uma nova edição do primeiro disco à venda, com o nome The Paradise Edition.

O novo disco, composto unicamente por oito músicas, é uma continuação do conceito lançado pela artista no primeiro disco. Se todos nascem para morrer, então porque não oferecer uma continuação com a apresentação de um paraíso? Os problemas sentidos no Paradise Edition são a oferta das mesmas sonoridades, dos mesmos temas no que respeita ao campo lírico e o pouco material novo colocado nesta continuação do Born To Die.

Começando com Ride, o primeiro single oficial lançado para promover o disco. Com a voz arrastada e um tom extremamente grave ao longo de toda a canção, Lana dá a conhecer um novamente um lado sensível e humano para além de toda a maquilhagem, lábios falsos e estilo dos anos 40/50 que mostra ao público. “Don’t break me now/ I’ve been travelin’ too long/ I’ve been trying too hard/ With one pretty song”, canta com a voz grave que lhe é tão caraterística. O teledisco conseguiu dividir opiniões dos críticos pelas supostas mensagens de contra o feminismo e apelo à prostituição.

Com um ambiente calmo no paraíso, idêntico à imagem criada por todos os seres humanos, é apresentado American. É apresentada uma mensagem de amor (“You make me crazy/ You make me wild/ Just like a baby, spin me ‘round like a child”) a uma pessoa em comparação com a América (“Like an American”). É nesta segunda música do disco que os exagerados níveis de efeitos especiais, colocados para disfarçar as deficiências na voz de Del Rey, são notados.

Tão reconhecida pelo verso “My pussy tastes like pepsi cola”, em Cola a camuflagem na voz da cantora é levada ao extremo e ridículo ao ser mais forte os arranjos do que a voz natural de Del Rey. Mais uma vez, a artista revela o desejo por estar com o amado. Há claramente uma mensagem de dependência de um Homem para viver, para sonhar ao longo das oito canções. E para explicar o verso tão comentado pelos meios de comunicação social, Lana disse unicamente que tinha “um namorado escocês” e tratava-se apenas do que ele lhe dizia.

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Em Body Electric são retiradas as camuflagens eletrónicas e está evidenciado no refrão a forte inspiração no poema “I Sing The Body Electric” de Walt Whitman. Trata-se provavelmente da melhor faixa do disco assim como Blue Velvet. O teledisco da cover foi lançado para a campanha da coleção Outono/Inverno 2013 da H&M. Mesmo a cantar Blue Velvet, a sonoridade grave da voz da cantora é evidenciada. Ao longo do paraíso oferecido por Lana, o ouvinte consegue notar que a raiz de toda a arte da cantora continua firme. Não houve tentativas de novas sonoridades, não houve desafio neste novo trabalho.

Na canção Gods & Monsters, ouve-se uma referência a uma figura reconhecida no passado (“No one’s gonna take my soul away/ Living like Jim Morrison”), tal como a cantora fez nas canções anteriores. Marilyn Monroe, Elvis Presley e o próprio Whitman também fazem parte deste novo álbum. Pela primeira vez, em Gods & Monsters, a cantora canta unicamente sobre a sua personalidade e possivelmente sobre os seus medos (“Give it to me this heaven/ What I truly want/ Is innocence lost?/ Innocence lost”), tendo um ponto em seu favor.

Nada de novo é mostrado em Yayo, música lançada no início da carreira da artista, apenas um novo instrumental. A surpresa aparece com a obra de arte final, intitulada Bel Air. É talvez a letra mais complexa e com mais elegância no disco (“Roses, Bel Air/ Take me there/ I’ve been waiting to meet you/ Palm trees in the light/ I can see, late at night”). É o fim de uma viagem pelo paraíso, em que o ouvinte é capaz de ver a perfeição dos anjos, ouvem-se crianças a brincar como som de fundo da última canção do Paradise.

Não há mudanças neste novo disco de Lana Del Rey. O estilo, a sonoridade, a seriedade, o dramatismo e a melancolia tão característicos no Born To Die mantêm-se. Trata-se de uma edição para os admiradores da cantora e não vai atrair novo público. Dentro do que Lana Del Rey habituou o público, a qualidade mantém-se elevada.

Dentro da plasticidade da imagem que contém, a artista mostra através das composições que sofreu várias desilusões ao longo da vida – talvez seja esta caraterística que a torna num fenómeno.

Podes ver a crítica ao primeiro disco feita pelo João Morais aqui e o teledisco de Bel Air.