A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa recebeu, na passada quinta-feira, vários nomes da música independente nacional no evento Indie FLUL, como Gobi Bear ou a Jigsaw.

Os primeiros a atuar na sala de vídeo da faculdade foram A Jigsaw, com o seu blues cantado em inglês. O showcase da banda conimbricense foi seguido de um debate, no qual se falou da música portuguesa, do eterno dilema entre cantar em português ou em inglês, e também sobre as influências artísticas da banda.

João Rui, vocalista do grupo, afirmou que “não é possível” para uma banda “saber diretamente” quais são as suas influências. Contudo, são os blues dos anos 20 e 30, e nomes como Elvis Presley, Nick Cave ou Leonard Cohen que fazem parte das preferências mencionadas pelos a Jigsaw. No final do debate a banda tocou ainda o tema Six Blind Days.

Às 16 horas seria a vez de Gobi Bear. Vindo de Coimbra, o músico Diogo Alves Pinto veio a Lisboa promover o seu mais recente EP, Mais Grande, em cinco showcases de apresentação. Porém, nesta atuação, Gobi Bear não se cingiu apenas ao Mais Grande, tocando também alguns temas mais antigos.

Diogo Alves Pinto encheu a sala com o seu one-man show: os loops harmoniosos e a transformação da sua simples guitarra acústica em sons elétricos agradaram bastante aos estudantes que assistiram ao concerto.

Depois de dois projetos cantados em inglês na sala de vídeo, foi a vez de mudar de “palco” para o Bar Novo da faculdade, onde se ouviu cantar em português. O primeiro a atuar neste espaço seria Azevedo Silva, que revelou sentir-se “nervoso por estar a ser observado por estudantes, ou seja, pessoas habituadas a ler”.

Acompanhado à guitarra por Filipe Grácio, Azevedo Silva tocou Morte e Mediocridade, temas do seu álbum de estreia, Autista, mostrando ser um bom “contador de histórias”, apesar de não se considerar como tal e ter confessado que, se ainda fosse possível, “recorreria a John Cage” para o ajudar a contar as suas histórias.

O último concerto aconteceu às 20h30 (a hora tardia levou a uma menor afluência) e foi levado a cabo pelos A-nimal. A banda oriunda de Montemor-o-Novo trouxe à Faculdade de Letras rock alternativo, terminando o evento de uma forma bastante enérgica.

Esta foi uma iniciativa que atraiu não só estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa como os de várias outras universidades da capital. É de louvar que o ensino universitário se alie à cultura portuguesa e divulgue a boa música nacional, dando assim novas oportunidades de promoção aos músicos portugueses e ao mesmo tempo enriqueça culturalmente os estudantes universitários. Apesar de já existirem iniciativas semelhantes noutras universidades portuguesas, o Indie FLUL é um bom exemplo a seguir pelas demais faculdades. Fica o desejo de que o sucesso desta iniciativa contribua para uma próxima edição.

Fotografias por Catarina Mendes, Inês Galvão Teles e João Churro