Depois do sucesso com os brinquedos, a Disney entra no universo dos videojogos com Força Ralph!. Uma ideia aparentemente semelhante a Toy Story, mas com um resultado diferente e inspirador: A nostalgia dos videojogos dos anos 80 invade o presente.

Ralph, vilão numa máquina de jogos, decide não voltar a ser o mau da fita. Está construída a linha orientadora do novo filme da Disney, que chega esta quinta-feira aos cinemas nacionais: Força Ralph! A decisão de Ralph é apresentada num encontro de “Vilões Anónimos”: o Destruidor está cansado do seu papel de vilão, e deste controlar toda a sua vida, nomeadamente a sua relação com as restantes personagens do jogo em que reside, Felix Júnior Repara.

Ralph é um destruidor nato. Não é uma personagem com mau aspecto, e a própria voz de Pedro Laginha não nos leva a vê-lo como vilão. O seu mau hálito é uma das características que o marcará durante todo o filme, tal como a pouca presença do seu sorriso. Ralph vive numa lixeira e inveja o protagonismo de Félix Júnior, herói do jogo do qual é vilão. O personagem é uma clara homenagem a um dos primeiros vilões criados pela Nintendo, Donkey Kong, tal como o Félix Jr. nos recorda o Super Mário.

O desejo de Ralph em deixar de ser excluído leva-o a tentar conquistar uma medalha de mérito. A viagem leva-o a sair do seu jogo e a invadir outros universos, onde encontrará novos problemas mas também a resolução dos seus e dos problemas de outras pessoas. Tal como os de Vanellope, uma rapariga que anseia por ser piloto, mas cuja doença a afasta das pistas e a leva a ser constantemente discriminada. A Disney volta a valorizar o sentimento da amizade e do respeito mútuo, deixando ainda lugar para uma breve história de amor, protagonizada nas personagens de Félix Júnior e da Sargento Calhoun.

A ideia da Disney não foge muito ao que acontece em Toy Story, em que os brinquedos têm uma vida própria, ideia aqui transposta para as personagens de videojogos. Se bem que semelhantes na ideia base, os dois resultados são muito diferentes, e a experiência no visionamento de uma história incomparavelmente diferente à outra. Não que seja pior ou melhor, simplesmente distinta.

É nesta ideia do gigante americano, que reside o ex-líbris de Força Ralph! O filme traz-nos personagens de videojogos diferentes, as suas cumplicidades e as invejas que se constroem.  Mas nada seria igual, se a Disney não transportasse consigo alguns dos grandes vilões da nossa infância, que marcaram a indústria nos anos 80: Dr. Eggman (Sonic The Hedgehog), Bowser (Super Mario), as pequenas criaturas do Pacman. Simples personagens cuja presença nos leva até um tempo passado, uma vivência de cada um, uma certa nostalgia.

A estrutura do filme está muito bem pensada, e afasta-se do tradicional Disney, em que tudo é previsível, em que tudo é quase que conhecido de antemão. Somos surpreendidos  até ao final, à medida que a trama se vai afunilando. Na primeira metade do filme, são frequentes as menções a realidades ou aspectos do filme que não conhecemos, posteriormente explicadas. Um fator que apenas enriquece a experiência de visionamento, mantendo a nossa curiosidade até ao final da película.

Junta-se ainda a panóplia de diferentes ambientes em que a ação se desenrola. Diferentes ambientes, diferentes estilos que acabam por marcar a história. Estes ambientes resumem-se, principalmente, nos dois jogos em que Ralph irá acabar por encontrar-se: Hero’s Duty e Sugar Rush. O primeiro é um jogo mais violento e futurista, inspirado nos jogos Call of Duty e Metroid. O segundo, onde se concentra a maior parte da ação, é um jogo de corrida em karts, em que todo o ambiente é criado em açúcar, recordando-nos o ambiente de Charlie e a Fábrica de Chocolate. Sugar Rush remete frequentemente para marcas comerciais, algumas das quais, não aborrecendo excessivamente, seriam escusadas. Todos estes ambientes são muito bem trabalhados tecnicamente, e apoiados por um 3D convincente, sobretudo nos momentos de maior ação.

Cada um verá Força Ralph! de uma forma diferente. As crianças, não se reconhecendo neste mundo, viverão mais intensamente a ação. Os mais velhos deixar-se-ão levar pela nostalgia dos videojogos e das suas personagens. Duas experiências distintas, que fazem de Força Ralph! um filme para todos verem. Com a chegada dos créditos, acaba o filme, mas permanece a nostalgia.

8/10

Ficha Técnica:

Título original: Wreck it Ralph!

Realizado por: Rich Moore

Escrito por: Phil Johnston, Jennifer Lee, Rich Moore, Jim Reardon

Vozes (versão original): John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBreyer, Jane Lynch,

Vozes (versão portuguesa): Pedro Laginha, Carla García, André Raimundo, Carlos Freixo, Vasco Palmeirim, José Raposo

Género: Animação

Duração: 118 Minutos