Em entrevista à Rádio Renascença, Luís Miguel Cintra, fundador, ator e encenador do Teatro da Cornucópia, afirma que poderá não conseguir continuar com a temporada a partir de Janeiro.

A incapacidade de pagar os ordenados aos artistas e funcionários da companhia é o principal motivo para o descontentamento do diretor da companhia. Luís Miguel Cintra, embora demonstre vontade de continuar em atividade no Teatro do Bairro Alto, afirma que “perdeu a confiança no Governo para pedir um empréstimo ao banco de um dinheiro que não sabe se virá” e, por isso, não pode fazer planos para o futuro.

Para além destas afirmações preocupantes para o setor, o encenador teceu críticas ao recém-chegado Secretário de Estado da Cultura Jorge Barreto Xavier. “Não reconheço nele a capacidade nem a ousadia de estabelecer nenhuma de decisão de fundo sobre a organização de toda a cultura portuguesa, que é a responsabilidade que lhe foi atribuída. O governo não está à espera de agir sobre a cultura está simplesmente com intenção de gerir o pouco que se dá à cultura.”, reitera concluindo que foi “uma escolha triste” por parte do governo.

Questionado acerca do que faria se tivesse capacidade política no setor cultural, Cintra responde que a sua opção seria “dar uma percentagem muito maior do Orçamento de Estado para a cultura especialmente quando esta se liga com a educação”.

Terminando por elogiar o trabalho de Manoel de Oliveira e o seu contributo para o cinema português, afirma que tem ”esperança e fé” que haja uma mudança de mentalidades com os jovens e que, num futuro próximo, a cultura volte a ter importância para a sociedade.

A Companhia de Teatro da Cornucópia apresenta, até dia 25 de novembro, os “Desastres de Amor” no Teatro do Bairro Alto, a sua sede.