O quarto dia de celebração do cinema francês em Coimbra prima, como já tem sido hábito, pela variedade. Cinema para todos os gostos com uma animação, um romance musical, uma comédia e um drama.

Uma vez mais, desta feita no quarto dia da 13ª Festa do Cinema Francês em Coimbra, o cartaz prima pela variedade. O Teatro Académico de Gil Vicente exibiu a animação L’île de Black Mór, o romance musical Toi, moi, les autres, a comédia Parlez-moi de vous e o drama Présumé coupable.

L’ÎLE DE BLACK MOR – 4/10

Por incrível que pareça, a verdade é que não há nada de particularmente atraente em L’île de Black Mór. Lamentável, não estivesse o realizador, Jean-François Laguionie, no mundo do cinema e da animação há algumas décadas consideráveis. Esta é a vulgar história de piratas: uma tripulação descobre o mapa do tesouro e, com algumas desavenças pelo meio, acabam por chegar ao seu destino. É notório, desde logo, que Laguionie tenta aqui uma abordagem mais adulta, fugindo ao estereótipo do filme de animação para o público infantil – e isso é de louvar –, intenções que vão por água abaixo quando o cineasta opta por um rumo completamente simplista e previsível, numa história que, ainda que pouco original, proporcionava espaço para se tornar agradável. Já sem esquecer a animação nada cativante e pouco trabalhada, presumivelmente intencional, que não faz jus às qualidades que o cinema de animação tem para oferecer, ainda mais numa obra tão explorável.

PARLEZ-MOI DE VOUS – 7/10

Parlez-moi de vous é um misto de drama, com a leveza certa, e de comédia romântica, em dose moderada. Claire é uma grande figura da rádio francesa, meio onde é conhecida por Mélina, enquanto conselheira sexual e sentimental. No entanto, tudo faz por manter o anonimato em público, a par com a sua vida solitária e depressiva, vagamente colorida pelo seu cão de estimação que a ouve na rádio todas as noites. Até ao dia em que Claire decide ir em busca da mãe que cedo a abandonou. Com isto, assistimos a toda uma série de acontecimentos dramáticos, pelo confronto entre filha órfã e mãe irresponsável, românticos, quando a protagonista se apaixona por quem não devia, e cómicos, já que Claire sente uma tremenda aversão por tudo o que a rodeia, incluindo pessoas. Esta primeira longa-metragem de Pierre Pinaud é precisamente aquilo que pretende ser: um drama modesto e descomprometido em tom cómico, o que é exemplarmente cumprido. Não prima pela singularidade, mas proporciona delicioso e divertido serão.

O cartaz de hoje da Festa do Cinema Francês prossegue com Gwen, le livre de sable, Viagem a Portugal e Le Cochon de Gaza.