Mais uma noite, mais um filme. A Festa do Cinema Francês segue em Coimbra com um pesado drama político.

A noite passada, o sempre habitual Teatro Académico de Gil Vicente contou com um só filme em horário tardio. Um dos mais aguardados, L’exercice de l’État, a recente obra de Pierre Schöller, preencheu o serão.

L’EXERCICE DE L’ÉTAT – 7/10

O Ministro dos Transportes, Bertrand Saint-Jean, é acordado a meio da noite e vê-se na urgência imediata de se deslocar até ao local onde um autocarro recheado de crianças capotou, registando várias mortes. É a partir deste preciso momento que, subitamente, Saint-Jean se vê encurralado num misto de infindáveis problemas de cariz público e político. Dá-se um deslize de informação no seguimento de uma série de privatizações que o Presidente da República decide implementar.

É impossível não reconhecer em L’exercice de l’État um grande potencial. Trata-se de uma obra inteligente que retrata a face humana do ministro – que vê no seu novo chauffeur o mais próximo que tem de um amigo – aliada a um lado sombrio e conturbado, causado, sobretudo, pela pressão que carrega nos seus ombros. Algures, entramos num remoinho de questões que faz este drama político perder alguma da sua sobriedade inicial. No fim, ficam questões por responder. Torna-se difícil perceber o porquê de alguns acontecimentos e qual a fonte da sua origem. Contudo, L’exercice de l’État é um filme que vale e merece o seu visionamento – de preferência, um visionamento atento.

Hoje, a 13ª Festa do Cinema Francês segue com L’île de Black Mór, Toi, moi, les autres, Parlez-moi de vous e Présumé coupable.