A Comissão Europeia iniciará, em breve, um projeto que visará examinar os benefícios de estrear um filme, não só nas salas de cinema como também na televisão ou na Internet. A Comissária Europeia para a Educação e a Cultura, Androulla Vassiliou, anunciou a medida, que deverá abranger vinte filmes independentes de vários países europeus (Reino Unido, Espanha, Bélgica). Os filmes portugueses não estão incluídos neste primeiro lote.

Neste âmbito de mudança, Vassiliou afirmou que “É essencial que a Europa também examine todas as possibilidades ao seu dispor para perceber de que maneira podemos manter esta indústria competitiva, rentável e diversificada”. A iniciativa foi concebida com o intuito de transformar prejuízos em lucro, numa altura em que o cinema tem perdido cada vez mais espetadores e receitas em bilheteira (estima-se a redução de 1,2 milhões de espetadores e 4,6 milhões de euros em bilheteira).

Segundo o Canal Superior, o projeto tem vindo a desagradar cineastas e entusiastas da arte em Portugal. João Salaviza, o realizador premiado, com um Urso de Prata pela curta Rafa, afirma que “O espaço certo para ver um filme é numa sala de cinema escura, o santuário dos filmes. O resto são ecrãs complementares”. Gonçalo Tocha, também realizador e Jaime Neves, professor na Universidade do Porto, também são outros dos descontentes em relação ao intento, em relação ao qual propõem outras soluções, como um menor custo nos bilhetes de películas com menor visibilidade.

Seja como for, o projeto foi já financiado com dois milhões de euros, prometendo ser uma realidade muito em breve.