Nos Coliseus, em julho, o amor entre o público português e Bon Iver foi correspondido. Ontem, no Campo Pequeno, ficou provado que esta é uma relação harmoniosa, com tudo o que é preciso para ser duradoura.

Durante quase duas horas cantou-se, dançou-se, e houve lágrimas de emoção a serem disfarçadas. A prova de que os Bon Iver são tudo menos uma banda monótona e “baladeira”.

A primeira parte do concerto teria início às 21 horas em ponto, com as britânicas The Staves. As três irmãs Staveley-Taylor encantaram com o seu folk, apesar do ruído de fundo constante (provavelmente, fruto da ansiedade de ver Justin Vernon e seus companheiros subir ao palco) e das entradas intermináveis que viriam a esgotar a capacidade da sala. Com guitarra, ukelele e um tema a capella, as The Staves mostraram claras influências de Simon and Garfunkel, Fleet Foxes, e até dos próprios Bon Iver. A afinação das vozes de tal forma perfeita do trio feminino fez com que Justin Vernon viesse a afirmar que as The Staves são as suas cantoras favoritas “do mundo inteiro”.

Num ambiente mágico e acolhedor, com jogos de luzes perfeitamente adequados aos temas, Justin Vernon e os restantes músicos (entre os quais dois bateristas, um saxofonista e um violinista) subiriam ao palco, pouco depois das 22. Os primeiros acordes de Perth ecoaram no Campo Pequeno, e a emoção dos fãs da banda (alguns “repetentes” dos Coliseus, outros curiosos por verem Bon Iver pela primeira vez nas suas vidas) foi impossível de esconder.

Justin Vernon confessou que Lisboa é uma das suas “cidades do amor”, relacionando-a com a letra de Towers, que diz ser sobre amor e sexo, particularmente quando se é universitário.

Tal como já havia acontecido nos Coliseus, a plateia ficou positivamente assombrada no solo que antecede Blood Bank, um dos temas mais dançáveis (e dançados) da noite.

Em Re:Stacks, Justin Vernon mostrou o porquê de, frequentemente, se confundir a banda com o seu vocalista. Sozinho em palco interpretou o tema com voz e guitarra, mostrando que, com a sua genialidade, são precisos poucos recursos para encantar uma sala com as dimensões do Campo Pequeno. Num gesto “old school”, foram vários os isqueiros que se viram no ar. Muitos foram também os “Justin, we love you!” proferidos antes e depois deste tema.

Os restantes membros do grupo regressariam e mal se ouviria a voz de Vernon em Skinny Love, tal foi o coro da plateia do Campo Pequeno. Apesar de ainda faltarem alguns temas para o fim do concerto, Skinny Love valeu à banda a primeira ovação de pé, deixando os músicos surpreendidos e visivelmente emocionados.

Após Beth/Rest, o mais recente single com direito a videoclip, numa versão extraordinária, a banda sairia de palco pela primeira vez, voltando para interpretar For Emma, Forever Ago, tema que dá nome ao seu primeiro álbum. As despedidas finais aconteceram ao som de The Wolves (Act I and II), cantado em coro pelo público da “cidade do amor”.

Quem já tinha estado nos Coliseus há três meses não ficou desiludido, vendo o esforço bem conseguido da banda por não repetir o que tinha sido feito na sua última visita a Portugal. Para quem viu Bon Iver pela primeira vez, a emoção foi muita e o desejo de os voltar a ver tornou-se imediato no final do espetáculo.

Justin Vernon prometeu que o regresso a Portugal será “em breve”. Ficamos à espera.

Fotografias por Rita Sousa Vieira (Sapo on the Hop)