Betty Anne e Kenny são dois irmãos inseparáveis desde crianças, até ao dia em que Kenny é condenado a prisão perpétua pelo assassinato de uma mulher. Todos os indícios estão contra si e até a própria mãe acredita na culpa do filho. Contudo, Betty Anne não se convence e promete provar a inocência do irmão a qualquer custo. Nem que leve a vida inteira para o conseguir.

Este é um dos filmes que nos devolve a esperança no amor. Naquele tipo de amor que é capaz de qualquer coisa, de vencer qualquer obstáculo e que, sobretudo, não desiste, acredita, protege e vence. Hilary Swank é a personificação desse amor: ela é Betty Anne a irmã mais nova e sempre ajudada por Kenny, interpretado pelo competentíssimo Sam Rockwell, até ao momento em que este é preso. É então que assistimos à inversão dos papeis: Kenny vai-se abaixo, tendo inclusive tentado o suicídio e cabe à irmã a tarefa de “segurá-lo” e impedir que ele desista da vida.

A trama é narrada em três momentos temporais que vão alternando até mais ou menos a primeira metade da ação. São-nos apresentados os irmãos protagonistas em crianças onde é visível a sua união e também algum comportamento rebelde devido ao facto de serem negligenciados pela mãe; os irmãos na fase adulta na qual a personalidade de Kenny varia entre o rebelde e o irresistível bem ao estilo de James Dean e, por fim, na fase atual que se centra em Betty Anne e na sua luta para conseguir concluir o curso de Direito, para deste modo, ser advogada do irmão e reabrir o processo – isto dezasseis anos depois do ocorrido.

Hilary Swank não necessita de apresentações nem de elogios, mas fica sempre bem dizer e relembrar o quão talentosa, intensa, credível ela é. As várias nuances da sua personagem criam elos de ligação distintos mediante as nossas vivências pessoais quer sejamos mães ocupadas, irmãs preocupadas, amigas desnaturadas ou mesmo estudantes universitárias. A sua força e expressão no ecrã são uma das mais valias para a profundidade e significância que este filme transporta. Na verdade, a presença da atriz em qualquer filme é sinónimo de qualidade e sucesso e todos sabemos isso.

Do outro lado está o ator Sam Rockwell, não tão popular, mas igualmente talentoso. Para mim é um dos atores mais carismáticos da sua geração –  a par de Edward Norton e Matt Damon – mas infelizmente pouco (re)conhecido. Aconselho uma incursão pela sua filmografia a começar com dois filmes de visionamento obrigatório: Confissões de Uma Mente Perigosa e O Assassinato de Jesse James pelo cobarde Robert Ford (aqui tomem também atenção ao ator Casey Affleck). É difícil não ficar fã.

No núcleo secundário destaque para Minnie Driver como Abra – melhor amiga e companheira de Betty Anne na sua odisseia para salvar o irmão –  e Peter Gallagher – o inesquecível Sandy Cohen da série O.C Na Terra dos Ricos – como o advogado BarryJuliette Lewis e Melissa Leo também fazem uma pequena participação, embora sem grande destaque, o que é uma pena.

O semblante técnico não é de todo o forte do filme e ainda bem, uma vez que a mensagem é muito mais importante. Apenas alguns apontamentos relativamente a este aspeto: escassos planos gerais de apresentação do espaço e não existem muitos movimentos de câmara, dando ao espectador uma visão limitada e singular dos acontecimentos. Há sim, uma preocupação em focar os rostos e gestos de carinho entre os personagens através do uso de médios e grandes planos. A banda sonora, porém, cativou a minha atenção, principalmente a música Heaven or Hell dos Wild Colonials que passa no final: não poderia ser mais apropriada.

Se há filmes que todos devíamos ver, pelo menos uma vez, A Advogada é um deles. Uma injeção certeira aos nossos corações, de persistência e amor incondicional pela família e, o mais impressionante de tudo, é que a história é real. Algures nos Estados Unidos, neste preciso momento, está um homem feliz e livre, que provavelmente ainda estaria na prisão se não fosse pela força de vontade e amor que a sua irmã mais nova lhe dedicou. Realmente dá que pensar: haverá limites para o amor?

8 /10

Ficha Técnica:

Título Original: Conviction

Realizador: Tony Goldwyn

Argumento: Pamela Gray

Elenco: Hilary Swank, Juliette Lewis, Melissa Leo, Minnie Driver, Peter Gallagher, Sam Rockwell

Género: Drama

Duração: 107 minutos