24 de Outubro – Um dia de filmes que se focam em relações. De um realizador com o seu avô e deste com o seu tractor, de outro realizador com os seus pais, com a terra destes e com as pessoas que lá vivem e, por fim, a relação de Chantal Akerman consigo própria.

O homem do tractor – 6.5/10

Um retrato simples e próximo de um homem que é também avô do realizador. O tractor, que merece honras de título, é uma elemento fundamental na vida deste. Apesar do potencial, este é um exercício demasiado simplista e com algumas falhas técnicas graves a nível da imagem.

O Regresso – 8.5/10

Se o tema da emigração e do regresso às origens é uma constante na competição portuguesa de longas-metragens deste Doclisboa’12, O Regresso marca a diferença por não ser apenas um mero registo de memória.

Júlio Alves volta a Mega Fundeira, em Pedrógão, terra de origem dos seus pais. Aqui, resta-lhe a casa que eles construíram e da qual nunca chegaram a usufruir por terem morrido demasiado cedo.

Um filme muito pessoal, em que a narração do realizador nos conduz pelas imagens e pelos seus pensamentos, no que pode ser visto também como o fechar de um ciclo.

Chantal Akerman par Chantal Akerman – 7.5/10

A propósito do programa televisivo Cinéma, de notre temps, a realizadora foi convidada a fazer um programa sobre si própria.

Perante a impossibilidade de fazer um programa só com imagens dos seus filmes, filma-se enquanto discursa sobre a dificuldade que é falar de si própria. Grande parte do filme traduz-se depois em imagens dos seus filmes, apesar de muitos terem sido deixados de fora dessa selecção, onde há ainda espaço para vermos Maria de Medeiros em J’ai faim, j’ai froid, uma curta-metragem de 1984.

No final, a realizadora termina com duas afirmações: uma enquanto sujeito, dizendo que é Chantal Akerman e outra sobre a sua nacionalidade, que é belga.

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.