23 de Outubro – Após ter esgotado na Sessão de Abertura, A Última Vez Que Vi Macau voltou a esgotar a sessão de hoje. Realizado por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, o filme encontra-se na competição internacional de longas-metragens.

A Última Vez Que Vi Macau – 8.5/10

Cindy Scrash a sincronizar You Kill Me num vestido de seda, estilo chinês, em frente a uma jaula de tigres. É assim que começa A Última Vez Que Vi Macau. Podemos por aí antever uma enorme força dos elementos visuais, assim como uma curiosa escolha musical.

Em voz off, é Guerra da Mata que narra a história, com o seu alter-ego que volta a Macau 30 anos depois, a pedido de uma amiga que corre perigo de vida, Candy. Ocasionalmente, também intervém João Pedro Rodrigues, enquanto Guerra da Mata recorda a cidade onde viveu.

Imagens das ruas e edifícios de Macau, são intercalados com a ficção, os desencontros, os mitos e os maus da fita. Candy, sem nunca aparecer, é uma personagem importante que dá força à narrativa e serve de ligação. Uma ficção com alguns laivos de film noir, descurada propositadamente para que Macau documental possa ser o foco central do filme.

A questão colonial também não é esquecida, a mensagem é passada: depois de tantos séculos uma colónia de Portugal, reflecte-se agora a presença chinesa naquele território e o que significa para os portugueses, uma Las Vegas do Oriente, que pouco lhes diz.

Excelentes imagens, algumas a cargo de Rui Poças tornam mais fascinante este filme que é, sobretudo, um exercício de afirmação dos dois cineastas. Fica a faltar mais Macau, as pessoas que lá vivem e as dinâmicas com o território.

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.