21 de Outubro – Ao início da tarde, duas estreias mundiais: Bela Vista e Sobre Viver, que estão na competição portuguesa de curtas e longas-metragens, respectivamente. Logo depois, e ainda em português mas a competir como longa-metragem internacional, O Milagre de Santo António. Por um lado, um bairro com problemas tipicamente suburbanos e por outro lado, uma amostra das aldeias esquecidas do norte de Portugal.

 Bela Vista – 7,5/10

 O mais recente filme de Filipa Reis e João Miller Guerra. Depois de Cama de Gato, os realizadores trazem novamente para o ecrã o bairro da Bela Vista, em Setúbal.

Um olhar sobre o bairro e as pessoas que o habitam e lhe dão vida. Os prédios outrora ligados tendem a fechar-se agora com portões e varandas, que exprimem as preocupações em relação à segurança.

Sobre Viver – 7/10

Primeira obra de Cláudia Alves, leva-nos até Regoufe, aldeia no norte de Portugal. No cimo de uma montanha, dois pastores reflectem sobre a crescente desertificação, temem o abandono total da aldeia.

Vivem com a sombra dos incêndios e dos ataques de lobo a pairar sobre eles, não descurando no entanto as rotinas a que a terra e os rebanhos os obrigam.

Premissas interessantes mas que depois não acrescentam muito mais, três mulheres que cantam entre ruínas demasiado encenadas e planos demasiado estilizados que demoram mais do que o necessário são, contudo, arestas por limar.

O Milagre de Santo António – 7,5/10

 Produzido pelo festival de Curtas de Vila do Conde e realizado por Sergei Loznitsa, O Milagre de Santo António transporta-nos até à aldeia de Santo António de Mixões da Serra, no norte de Portugal.

É-nos mostrado em detalhe o festival religioso em que a aldeia honra o seu santo padroeiro, onde também os animais são abençoados. E o filme constrói-se de pormenores como a solenidade com que se varrem as folhas em frente à Igreja ou os cavalos que recusam a água benta sobre si.