20 de Outubro – Uma visita à Finlândia de outros tempos, através de Peter von Bagh, os Verdes Anos dos jovens realizadores portugueses e a abertura da secção Heart Beat, este ano pela primeira vez em português, com Visões de Madredeus, de Edgar Pêra, que esteve presente na sessão.

Lastuja – Taiteilijasuvun Vuosisata – 9/10

Em 2011, Peter von Bagh foi presidente do júri do Doclisboa. Este ano, traz-nos um documentário cujo título pode ser traduzido por Farpas – Um Século de uma Família Artística.  É precisamente o realizador que afirma que este filme é sobre um século mas também sobre a família.

É-nos contada a história da família de artistas Aho-Soldan, centrada na figura do escritor Juhani Aho, que casou com a pintora Venny Sodan-Brofeldt. A influência do escritor na arte finlandesa foi bastante importante, assim como a de outros membros da família: Heikki Aho e Bjorn Soldan, cineastas, deixaram recordações fílmicas da Guerra Civil Finlandesa que não existem de mais nenhuma forma. Uma família que faz reflectir o tempo através da arte e que dessa forma também influenciou aquele país, como era antes da independência e da Guerra Civil e como posteriormente se tornou.

Um filme feito de collage, com várias camadas das quais conseguimos obter informação fascinante: a história em si da família e as suas relações, e por outro lado a história e cultura finlandesas, que não se podem dissociar.

A título de curiosidade, uma das obras mais famosas de Juhani Aho, Juha, foi adaptada por várias vezes ao cinema, sendo que a última delas foi pelo realizador finlandês Aki Kaurismaki, naquele que foi o último filme mudo do século XX.

Teles – 8

Teles é marcador de linhas no União Sport Clube Baltar. Ao longo de 13 minutos fala-nos do seu trabalho e da sua vida, num retrato honesto e despretensioso ao qual é impossível ficar indiferente. Destaque para os planos de proximidade, em que nos confrontamos com a franqueza e simplicidade de Teles e a luz de início de dia. Como diz o próprio, “é a vida real”.

Visões de Madredeus – 8,5

Começamos em 2006, no Japão. E é no Japão que terminamos, naquele que também é o fim da tour mundial dos Madredeus, Um Amor Infinito. Nestes cine-diários, Edgar Pêra acompanha os Madredeus em ensaios e viagens, cenas dos concertos e momentos de bastidores um pouco por todo o mundo. As cenas de bastidores são um dos pontos fortes, assim como as tentativas que os fãs internacionais fazem para descrever o que sentem quando ouvem Madredeus, a capacidade que a banda tem para emocionar mesmo quem não compreende a língua portuguesa, focando-se na beleza da sua música.

Uma homenagem a uma grande banda portuguesa, num estilo próprio de Edgar Pêra.

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.