Depois do balanço positivo do dia anterior, chegava o quarto dia do evento, que prometia meter toda a gente a mexer ao som dos tão afamados Buraka Som Sistema. Também neste dia iriam subir ao palco HMB, Remikç Brothers e B2B89 ft. Faya Fer Sound, nomes que, ao fim ao cabo, ninguém ia querer saber num estado pouco ébrio.

Sendo portador de bilhete geral, estive até à última da hora a deliberar se me havia ou não de deslocar até ao Estádio Municipal de Aveiro: o meu fígado encontrava-se já bastante pouco salubre, as bandas que iriam actuar não eram aquelas com as quais eu mais me identificava e etc. Só com muitas investidas por parte de amigos, lá ganhei alguma vontade em me ir decompor mais um bocadinho.

Infelizmente, só cheguei quando os HMB tinham terminado a sua actuação, banda que, confesso, desconhecia. Cheguei, portanto, numa altura em que os veículos estavam a abastecer os seus depósitos nas boxes. E, como manda a regra, fui também abastecer o meu. O recinto encontrava-se bem vestido, com bastante gente a compor a moldura humana que iria receber os tão esperados Buraka Som Sistema.

Foi debaixo de uma gigantesca ovação que a banda subiu ao palco. A banda, que anda a conquistar público um pouco por todo o mundo, agradeceu de imediato e apresentou-se. Confesso que não tinha grandes expectativas para o concerto, mas de imediato comecei a sacudir-me ao ritmo incansável da banda. Sempre com uma sonoridade timbrada por um kuduro progressivo, a banda que ficou célebre por êxitos como, por exemplo, Yah!, rubricava um bom concerto, capaz de fazer dançar toda a gente. Se em estúdio a sua música nos parece estranha, ela é-nos complanada quando tocada ao vivo e temas como Wegue Wegue ou Candonga, fundindo-se com o magnífico jogo de luzes já habitual nos concertos dos Buraka Som Sistema, iam fazendo as delícias de quem por lá andava. O concerto terminou ao som de… bem, não me lembro, estava a malhar uns shots.

Depois de muito suor e calorias perdidas (que contrabalançadas com as calorias que se ganhou ao empinar tanta cerveja, até dá um salto negativo), era hora de ir descansar e esperar pelo próximo dia de [email protected]’12, pois já não restavam energias para acompanhar o resto da noite.

Depois do descanso, chegava o último dia de festa, que teria com grande nome David Fonseca. Para além do ex-músico dos já extintos Silence 4, acutariam Quarteto de Bolso, Waiting For Dawn, DJ Ride e Gamelas e o outro.

Com muita pena da minha parte, foi impossível estar no recinto a horas de acompanhar o concerto da primeira banda da noite, os Waiting For Dawn. Apesar de não os ter visto, posso garantir que quem viu gostou. Espero, pois, por uma próxima oportunidade para poder ver um espectáculo da banda.

Cheguei ao recinto quando os Quarteto de Bolso, banda com raízes aveirense, estavam a começar o seu espetáculo. Já acostumados à envolvência proporcionada pelo público de Aveiro, foram dando um belo concerto, saltitando e mesclando um smooth jazz e um folk bem arrojado enquanto salientavam que a criatividade é um dos seus pontos fortes. Com músicas propícias a puxar pelo público, os pontos altos do concerto deram-se ao ritmo de Cão e Mal Embriagado (a minha canção favorita deles), faixas que constam nos seus dois únicos EP’s lançados até agora. Com lirismos simples e alegres a fundirem-se com a sua sonoridade harmoniosa, foram cativando e animando o público, que se despediu da banda com uma chuvada de palmas.

Seguidamente ao belo momento musical dado pelos Quarteto de Bolso, era tempo de ir refrescar/acalorar os ânimos com umas sempre apetecíveis jolas. Depois de uma volta pelo recinto e já com o sangue semi-contaminado, entrava-se em contagem decrescente para que David Fonseca subisse ao palco do [email protected]’12.

Foi um recinto muitíssimo bem composto que recebeu o cantor de origem leiriense. Tendo acabado de lançar o seu segundo disco do ano, intitulado Seasons: Falling, era com alguma expectativa que aguardava o concerto do ex-músico dos Silence 4, projecto que o catapultou para o mediatismo. Com uma setlist bem escalonada, onde foram recuperados os seus maiores êxitos como, por exemplo, Superstar (juntamente com aquele viral assobio) ou A cry 4 love, e se apresentou temas do novo Seasons, também houve espaço para uma cover dos míticos Talking Heads. Sempre muitíssimo bom a articular a sua pop, exsurgia-se, no seio da sua musicalidade, paisagens ilustradas pela new wave, que nos aparecem plastificadas por um blues bastante caprichoso.

Cimentando, em palco, que é um dos mais talentosos singer-songwriters portugueses, desmembrava-se entre a sua guitarra e o piano, onde tocava as suas melodias mais baladeiras. Liricamente dotado, cria uma aliança altamente dançável com a sua sonoridade e o público raramente recusa dar um pezinho de dança. Foi assim durante hora e pouco, num dos grandes concertos da edição de 2012 do [email protected]. Na hora da despedida, todas as palmas pareciam poucas.

Depois do grande concerto de David Fonseca, iria chegar até nós toda a sapiência de DJ Ride. Enquanto o campeão do mundo de sracth não subia ao palco, era, uma vez mais, tempo de ir refrescando os ânimo e meter a conversa em dia (embora houvesse, também, quem metesse outras coisas). Depois de uma quantas bebidas empinadas e de um passeio até lá fora (não, desta vez não encontrei ninguém para falar de The Smiths ou de Jeff Buckley), eis que os quatro DJ’ subiam ao palco. DJ’s à primeira impressão, logo de seguida, disseram-me os DJ’s afinal eram os senhores do soundcheck. Pouco tempo depois, o tão aguardado DJ Ride (agora sim, era mesmo ele), subia ao palco.

DJ Ride foi o senhor da festa durante todo o tempo que pisou o palco. Trouxe-nos dubstep (não confundir com brostep, esse é o “dubstep azeiteiro”) camuflado em beats penetrantes e que metiam toda a gente a mexer e a dançar. Incendiando os ânimos do recinto, deu um espectáculo tremendo e provou que é um dos nomes mais importantes do panorama electrónico europeu.

Sem muitas mais memórias do que se passou, terminava assim o [email protected]’12. Resta dizer até já ao Enterro’13, e que a organização não peque tanto como pecou aqui (e que, já agora, tragam Memória de Peixe ou nada feito).

Agradecimentos, novamente, ao grande e incontornável Afonso Ré Lau pelas fotografias disponibilizadas.

*Artigo redigido, por opção do autor, ao abrigo do acordo ortográfico de 1945