No seu segundo dia, uma sessão especial abriu a tarde no Pequeno Auditório da Culturgest: a exibição do filme É na Terra Não é na Lua – O Arquivo, por ocasião do lançamento do DVD do filme, premiado no último Doclisboa com o Grande Prémio da Competição Internacional.

É na Terra não é na Lua – O Arquivo – 9/10

O realizador, Gonçalo Tocha, esteve presente na sessão e na conversa que se lhe seguiu. Este arquivo reúne duas horas de material inédito paralelo ao filme É na Terra não é na Lua. Trata-se de 20 sequências de vida da pequena comunidade da ilha do Corvo, filmadas entre 2007 e 2011, e agora organizadas para a edição especial em DVD. Memórias de uma ilha e das suas gentes que poderão assim constituir parte de um arquivo, tão escasso, do Corvo.

Material que não merecia ser deixado de fora, e, ao assistir a este arquivo, compreende-se a opção de Tocha de o querer incluir, desta forma, no DVD. Como o próprio referiu na sessão pertence “a uma outra dimensão, de arquivo e de memória”, e é assim que nos é apresentado. Tratam-se de “gavetas da via da ilha do Corvo”, acrescentou o realizador.

O DVD agora lançado é constituído por dois discos, o do filme e o do arquivo, exibido esta Sexta-feira, acompanhados de um diário da rodagem, originando assim uma espécie de filme-livro que resulta especialmente bem – um serve de complemento ao outro –, o livro junta o filme ao arquivo.

Após a sessão, o Fórum Debates foi palco do lançamento do DVD de É na Terra não é na Lua, de Gonçalo Tocha, pela Alambique, um vez mais, com a presença do realizador, acompanhado por Augusto M. Seabra do Doclisboa e os editores da Alambique e do Instituto Açoriano de Cultura numa conversa sobre o filme.

“A memória das pessoas que passam na ilha é que faz a sua história”, disse Gonçalo Tocha, e esta é uma frase que encaixa perfeitamente nesta longa-metragem. A evolução de uma comunidade, acompanhada pelos realizadores durante 2007 e 2009, e agora acessível a todos. Filme e arquivo, ambos, contam e marcam esta história.

Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.