Tim Burton está de volta à animação e aos velhos tempos com Frankenweenie, uma história de amizade entre um rapaz, Victor, e o seu cão, Sparky, que continua muito para além da morte. Burton resolveu construir esta longa-metragem de animação a partir da sua curta-metragem homónima de 1984, em imagem real. Frankenweenie traz o génio de volta. A imaginação, originalidade e excentricidade características do realizador regressam ao grande ecrã depois de desilusões como A Noiva Cadáver (2005) ou Alice no País das Maravilhas (2010).

Os fãs da curta-metragem de 1984 ficarão decerto encantados ao poder recordar a amizade de Victor e Sparky, agora com personagens animadas, e transformada numa longa de quase hora e meia. A mesma história com mais fantasia, mais ciência, mais monstros, sempre no registo sombrio que tão bem caracteriza Tim Burton.

Depois de inesperadamente ver o seu cão, Sparky, morrer atropelado, o jovem Victor recorre aos poderes da ciência para trazer o seu melhor amigo de volta à vida. Ele tenta esconder a sua criação pessoal, mas quando Sparky sai à rua, os colegas de escola de Victor, e depressa a cidade inteira, apercebem-se que o regresso ao mundo dos vivos pode ter consequências monstruosas.

O argumento mantém-se, com algumas novidades advindas dos colegas de Victor, mas a mensagem continua a mesma: uma amizade que sobrevive a tudo, até mesmo à morte. Frankenweenie está cheio de nostalgia, onde muitas recordações da juventude de Tim Burton estão presentes. E o cinema tem direito à sua merecida homenagem, começando pelo filme que Victor realiza e mostra aos pais, logo no início da longa-metragem, a sua máquina de projecção, e as referências a outros filmes e actores que fizeram história e não param de surgir ao longo de Frankenweenie. Frankenstein é o nome da família protagonista; Persephone, a cadela de Elsa, tem semelhanças com a Noiva de Frankenstein; o próprio Godzilla é “disfarçadamente” lembrado; e o Drácula de Christopher Lee não passa despercebido, bem como tantos outros nomes do cinema.

Tal como a curta-metragem original, Frankenweenie mantém-se a preto e branco, mas junta-se-lhe uma inovação: o 3D. O novo filme de Burton é um regresso ao passado cheio de novidades, que assegura, todavia, uma originalidade de que já sentíamos falta. A animação é deliciosa, em stop motion, e com o marcado estilo do realizador bem presente. Personagens de aspecto mais ou menos assustador (como Edgar), de olhos expressivos (ou inexpressivos como é o caso de Weird Girl e do seu gato Mr. Whiskers), pernas e braços compridos e magros, e sempre com cenários um tanto ou quanto mórbidos e obscuros. Uma fórmula que resulta perfeitamente e que oferece o ambiente ideal a Frankenweenie.

Aliada à qualidade da animação, a banda sonora, que Burton nunca descura, é de excelência e também merece destaque e é Danny Elfman, assíduo colaborador do realizador, o compositor responsável. É igualmente de destacar, já durante os créditos o tema de Karen O, Strange Love, que ficará na cabeça.

O elenco de vozes faz um bom trabalho com destaque para os pequenos Charlie Tahan e Atticus Shaffer, como Victor e Edgar, respectivamente, e para Winona Ryder, como Elsa. Os pais de Victor, interpretados por Catherine O’Hara e Martin Short, que se desdobram em outras personagens, estão também entre os nomes do elenco.

Uma lição de amor e amizade, com tanto de encantador como de assustador, Frankenweenie ressuscita também um Tim Burton de quem já tínhamos saudades.

8/10

Ficha Técnica:

Título Original: Frankenweenie

Realizador: Tim Burton

Argumento: John August, baseado no argumento de Leonard Ripps e na ideia original de Tim Burton

Elenco: Winona Ryder, Charlie Tahan, Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Landau, Conchata Ferrell, Atticus Shaffer

Género: Animação

Duração: 87 minutos

Critica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.