Conhecidos pelos seus concertos cheios de energia e forte presença em palco, os Maxïmo Park contagiaram a reduzida plateia da Sala TMN ao Vivo, na passada quinta-feira. Pouco, mas bom, o público vibrou ao som dos britânicos que iniciaram em Lisboa a sua tour europeia de apresentação do novo disco, The National Health que teve a produção de Gil Norton, que já trabalhou com nomes como Pixies e Foo Fighters.

Foi com a canção que dá nome ao novo disco que a banda, oriunda de New Castle, iniciou o concerto. Partiu depois para Girls who play guitars, o maravilhoso tema de abertura de Our earthly pleasures (2007) e meia sala já completamente rendida. Seguiu-se um dos momentos mais interessantes com o single do novo disco, Hips and lips, todo ele frustração sexual, e The Undercurrents, estranhamente parecido com Keane (mas um milhão de vezes mais inteligente e interessante).

Mesmo assim a qualidade das músicas do novo disco é inegável. Adequando-se a configurações mais íntimas, a banda acrescentou uma boa dose de subtileza ao seu cânone post punk e new wave, trazendo por vezes os sussurros e a sensualidade de uns Pulp, por exemplo em temas como Reluctant love ou This is what becomes of the brokenhearted.

Houve também lugar à pop orelhuda que o público cantarolou, com os temas mais conhecidos, sobretudo do primeiro e segundo disco, que se tornaram grandes suucessos: Apply some pressure, Graffitti ou Our velocity.

A música de Maxïmo Park é também mordaz e espirituosa. Foi assim com Write this down, apresentada por uma rapariga do público, a pedido de Paul Smith, irrequieto e jingão vocalista que não parou um segundo, mantendo um contato muito próximo com o público que desceu à beira-rio para se render aos ingleses (mesmo que estes não soubessem bem se estavam ao lado de um mar ou de um rio).

Paul Smith é espirituoso e irrequieto. De fato e gravata e chapéu de coco suou as estopinhas e, como o próprio frisou, deu o seu melhor, desculpando-se de uma voz um pouco afetada. No intervalo do encore haveria de ir tomar mel, voltando assim para um trio que fechou a noite em beleza: Pride before a fall (lado b de Our earthly pleasures), I want you to stay (single de A certain tiger) e a já referida Our velocity.

Simpatia e energia a rodos fizeram desta visita a Portugal uma bela noite mostrando que Maxïmo Park são, mais do que uma banda de discos, uma banda de concertos, cujas músicas ao vivo ganham outro vigor.

A primeira parte coube aos portugueses Lissabon, que apresentaram as músicas do seu álbum de estreia If it’s only just a dream…, editado na sua própria , a Licked Records. Formados por Pedro Lourenço (voz e guitarra), Inês Vicente (baixo e voz), Soraia Simão (piano e sintetizadores) e José Garcez (bateria e percussões), o quarteto esforçou-se arduamente por aquecer a ainda muito vazia Sala TMN ao Vivo. Entre a pop disco e os sons mais psicadélicos, não conseguiram porém, passar de banais.

 Fotografias: Débora Lino