Miuda abriu as hostes na noite em que Blasted Mechanism incendiou o Parque da Canção. No terceiro dia da Festa das Latas, passou-se do pop eletrónico ao rock alternativo e Coimbra encheu.

Miúda que é miúda nunca chega a lugar nenhum a horas, é praxe. Com uma hora de atraso, lá subiu ao palco para cantar umas músicas e animar a malta. O Recinto estava vazio, mas os fãs de Miuda lá estavam, coladinhos ao gradeamento. No ar, um cartaz dizia «Miuda, fazia de ti uma mulher». Mas Mel respondeu: «Vamos ser sempre miúdas!». Aqui não há mesmo nada a fazer.

Para uns, Miuda servia apenas para guardar um lugar em frente a Blasted Mechanism, mas assim que se ouviram os primeiros acordes de Com Quem Eu Quero, tudo mudou. «Eu durmo com quem eu quero e faço o que me apetece», canta o público. «Mas com a noção do próximo e respeitando sempre o outro», aconselha a vocalista da banda.

«Como é que é Coimbra? Vamos a uma nova?», pergunta a miúda dos Miuda. Nomes Na Rua vem com uma vibe fresquinha. «Eu não me arrependo do que me arrependo», por isso «chamem-me nomes na rua», confessa a letra. Meu Amor chegou para os apaixonados. De luzes apagadas, Mel começa dançar e segue para Fluxo de Lores, num ambiente envolvente e sedutor.

Se Onde Me Posso Esconder é uma pergunta, Na Cidade é a resposta. Os Miuda levam o seu pequeno público ao rubro com Eu Jogo Ténis. «Agora só os caloiros!», «só as raparigas!», «só os rapazes!», incita a cantora da Aljezur. Uns e outros entoavam «vantagem minha, vantagem tua, vantagem nua» mas foram os Miuda quem ganhou.

A hora de ir embora aproximava-se cada vez mais. Como só dava tempo para mais uma, voltou a ouvir-se Com Quem Eu Quero. E o que Mel quer é «assentar, ter uma família, uma horta e fazer queijo», mas por agora despede-se de Coimbra com um «Foi muito bom, muito obrigada e até uma próxima! Um resto de uma boa noite».

A partida dos Miuda foi preenchida pela chegada de Blasted Mechanism. Os estudantes esperaram e desesperaram durante toda a noite para os ver e a banda não desiludiu. Foi no festival de luzes e som já tão característico da banda que Guitshu, Valdjiu, Ary, Syncron, Winga e Zymon subiram ao palco.

A casa encheu assim que começou Blasted Generation. Uma multidão pulava e dançava ao som do novo tema. Blasted Empire fez as primeiras filas entrar em transe. Cabeças marcavam o ritmo, braços pareciam querer voar para alcançar os músicos que iluminavam o palco e as pernas pareciam ter vida própria. Estava a ser feita magia.

O concerto focou-se essencialmente no alinhamento do novo CD. Contudo, ainda houve espaço para Are You Ready, Surrender e Sun Goes Down. No palco, os músicos davam a performance de uma vida. Cantavam, dançavam e pulavam, sempre provocando o público que não lhes conseguia resistir. Extasiada, audiência, desfazia-se em vénias e ovações e Guitshu, o vocalista, soltava, de vez em quando, um «Coimbra! Coimbra! Coimbra!».

Já perto do fim, Blasted fez ouvir Karkov e Coimbra ganhou uma nova cor. Puxa Para Cima foi a última música de um grande encore que deu por terminada a maior atuação da noite. A multidão voltou a pedir bis, mas já não havia tempo para mais. «A Latada de Coimbra é especial», assume Guitshu, mas a noite tinha mesmo de acabar.

Texto de Elisa David
Fotografias de Maria Inês Antunes