Dar este prémio a um escritor que conscientemente se dissociou das lutas políticas da China de hoje? Acho que é quase intolerável”, afirmou o artista plástico chinês, Ai Weiwei, perante a entrega do Nobel da Literatura a Mo Yan.

Referindo-se de novo a Mo Yan, questiona: “Como separar um escritor de ser também um intelectual moderno, que respeite os valores universais de direitos humanos e liberdade de pensamento e expressão?”. Considera que “são qualidades inevitáveis de um bom escritor” e que a nomeação “é, no mínimo, insensível”.

Mo Yan, que face à censura do regime optou por, em 1995, retirar de circulação o seu romance Peito Grande, Ancas Largas e que participou na elaboração da cópia manuscrita do discurso de Mao Zedong, no qual se definem as linhas orientadoras da arte e literatura chinesa das décadas posteriores, é visto por Ai Weiwei e demais dissidentes como um autor não independente e ligado ao regime.

Recentemente libertado da pena de prisão que se encontrava a cumprir, o artista Ai Weiwei ainda não é autorizado a abandonar a China, o que o poderá impedir de, no próximo ano, estar presente na Bienal de Veneza, representando oficialmente a Alemanha na mais importante bienal de arte do mundo.