Não costumo ser spoiler nas minhas críticas, mas já que fui no título, há uma coisa que eu tenho de partilhar: Uau! Ainda há dias vi o filme Encomenda Armadilhada com o Joseph Gordon-Levitt e neste Looper – Reflexo Assassino quase que nem o reconheci. É certo que ele tem vindo a ter papeis bastante interessantes, principalmente em filmes independentes, mas este personagem Joe Simmons é um abuso. É o ator como nunca o vimos: durão, intenso, sexy, sedutor, arrepiante entre outros atributos que só a imagem cinematográfica consegue reproduzir.

Na sociedade norte-americana de 2042, o crime organizado cresce e existem os chamados loopers: assassinos contratados que executam pessoas “inconvenientes” do futuro que são transportadas para o presente com o objetivo de serem mortas. Quando a empresa decide terminar o contrato com o looper, o seu último trabalho consiste em matar o eu do futuro. Contudo, Joe (Joseph Gordon-Levitt) deixa escapar o seu eu mais velho (Bruce Willis) e acaba por ser perseguido pela máfia, enquanto tenta matar o velho Joe para, assim, terminar o seu trabalho.

Este é um filme de ação e ficção científica, mas que se destaca mais pelo argumento. É a história que move e que joga com o interesse do espectador. Não há violência ao desbarato, nem sequer grandes efeitos especiais – inclusive nas partes em que a ação decorre no ano de 2072 – mas sim uma preocupação em servir os personagens: em ligar emoções e descortinar os motivos que os levam a agir de determinada forma.

A realização de Rian Johnson não prima por demasiadas oscilações de planos, os travellings são escassos assim como os closes. O que mais chama a atenção é a abordagem sonora das sequências. Por exemplo na primeira conversa que Joe tem com o chefe, Abe, o silêncio é o clímax da cena. São três segundos de vazio, apenas o olhar aparentemente descontraído de Joe e, depois, a surpresa (nossa) quando ele entrega o amigo Seth, assinando, assim, a sua sentença de morte. Existe também uma preocupação a nível de simbologias, principalmente com o relógio de bolso de Joe que acaba por ser a metáfora perfeita para evidenciar as mudanças temporais a que a história abrange.

Relativamente ao restante elenco – uma vez que já elogiei muito Joseph Gordon-Levitt – tenho de reconhecer: ainda há qualquer coisa no Bruce Willis. Desde Pulp Fiction que não recordo nenhum personagem dele que fizesse mossa, que me marcasse. Contudo, a sua atuação é envolvente, e, principalmente, credível. Isto porque tem como pano de fundo uma trágica história de amor, o que acaba por ser o motivo maior pelo qual ele se rege, age e reage. Também Emily Blunt dá o ar da sua graça e embeleza a tela ao dar vida a uma mãe que faz tudo para proteger o seu estranho filho a quem havia abandonado à nascença.

Ainda assim, há um ator que com certeza ficará nas nossas memórias e, quem sabe, nos nossos pesadelos. Aliás a sua personagem – Cid – já figura na lista das crianças mais assustadoras do cinema. É realmente de louvar a capacidade de interpretação de Pierce Gagnon – que participou na série One Tree Hill – sobretudo quando se descobre que ele tem apenas dez anos. Não há palavras, só mesmo vendo e, mesmo assim, ainda vão levar um tempo para acreditar. As suas expressões chegam a ser tão assustadoramente reais, que não admira que o velho Joe o queira matar.

Looper é, sem dúvida, o filme da carreira de Joseph Gordon-Levitt. Se havia dúvidas relativamente à sua qualidade interpretativa (eu própria já as tive), é aqui que elas terminam. Ninguém no seu perfeito juízo poderá apontar algo à sua personagem: goste-se ou não do ator. E agora sim, não vou mais elogiá-lo. Mas mais gente irá.

8.5 /10

Ficha Técnica:

Título Original: Looper

Realizador: Rian Johnson

Argumento: Rian Johnson

Elenco: Bruce Willis, Emily Blunt, Jeff Daniels, Joseph Gordon-Levitt, Paul Dano, Pierce Gagnon

Género: Ação, Ficção Científica

Duração: 118 minutos