Susana Rosa, Bruno Neves e Teresa Cruz Rosete

Ensaios em animais na indústria cosmética podem ser substituídos por um novo teste

Um projeto desenvolvido por investigadores de Universidade de Coimbra, do Centro de Neurociências (CNC) e da Faculdade de Farmácia, denominado Sensitiser Predictor, permitiu finalmente o desenvolvimento de um teste pioneiro que avalia a sensibilização cutânea provocada por químicos.Este projeto decorre de estudos contínuos que são realizados desde 2006 pelos investigadores Teresa Cruz Rosete, Bruno Neves e Susana Rosa, e foi já reconhecido com vários prémios a nível nacional e internacional. Entre as razões para essas distinções está a possibilidade que oferece de finalmente se abolir a utilização de animais como cobaias nos testes de produtos cosméticos.

A União Europeia tem vindo a debater-se com este assunto e, até agora, ainda não existiam testes que constituíssem uma alternativa para um leque amplo de agentes de toxicidade. Neste sentido, o projeto português vem, pela primeira vez, corresponder às exigências legislativas da União Europeia. Teresa Cruz Rosete, uma das mentoras do Sensitiser Predictor, acrescenta que «é um método muito mais rápido do que os atuais que recorrem aos ensaios em animais, mais económico e passível de ser usado em grande escala».

O teste, feito in vitro, consiste na utilização de células cutâneas imortalizadas para avaliar o potencial alergénico cutâneo de químicos, através do estudo de diferentes critérios. Ainda a aguardar a validação por parte do European Centre for the Validation of Alternative Methods – ECVAM, o projeto conta com uma patente internacional em fase de avaliação e poderá vir mesmo a substituir os testes em animais.

Este grupo de investigadores, pioneiro em Portugal no desenvolvimento de testes para avaliação da sensibilidade ao nível da pele, coloca a possibilidade de alargar este teste a outras áreas, como as alergias respiratórias.

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