Zarafa – 8/10

O Universo da Animação surgiu este sábado com Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie. Com uma animação muito tradicional e agradável, o filme gira em torno da história de Maki e da girafa Zarafa, que nos é relatada por um ancião africano que a conta também a um grupo de crianças de uma aldeia. O narrador acompanha os vários momentos da história e vamos conhecendo as reações das crianças que a ouvem. 

Zarafa é um filme livremente inspirado na verdadeira história da girafa oferecida ao Rei de França pelo Paxá do Egito, em 1827. Conta a jornada de Zarafa, a girafa capturada, e de Maki, um menino de 10 anos que tudo faz para a levar de volta ao Sudão. Nessa longa viagem, muitos amigos vão surgindo e muitas aventuras os esperam. As cores quentes predominam do início ao fim da longa-metragem francesa, fazendo com que África esteja sempre presente, mesmo quando as personagens viajam até à Europa.

Zarafa não tem medo de falar da morte, das perdas, totalmente feito para os mais pequenos e que deixará os adultos enternecidos e comovidos. Um filme que fala de amizade, carinho, amor e da vida, e onde as noções de bem e mal estão bem presentes. Aqui há escravos, reis, guerras, piratas e fantásticas invenções. Um filme para a família, com uma animação muito clássica, e que pretende transmitir os mais sinceros valores.

Por: Inês Moreira Santos

Je me Suis Fait Tout Petit – 7/10

Sábado foi também dia de apresentação de Je me suis fait tout petit, com uma Sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge a poucos lugares de estar completa. A obra de estreia da realizadora Cécilia Rouaud conta a história de Yvan, um professor que procura fazer uma mudança na sua vida mas que acaba por seguir outro caminho face aos inesperados acontecimentos.

Reunindo um elenco com nomes conhecidos como Denis Ménochet ou Vanessa Paradis, este é um filme que pretende mostrar o lado bom e modesto de um homem, em processo de autodescoberta, que luta contra si mesmo para ocultar essa faceta. Apesar disso, o protagonista é surpreendido com o aparecimento de Léo, filho pequeno da sua ex-mulher, e acaba por encontrar o amor junto de Emmanuelle. Lutando contra o novo, a sua vida acaba por mudar, mas não no sentido que Yvan estava à espera.

Apesar de leve e fácil de acompanhar, por vezes fica-se com a sensação de que a ação do filme não está a avançar. Contudo, as mudanças vão acontecendo sorrateiramente e a interioridade dos personagens vem ao de cima. As novas formas de família são também exploradas nesta película, com uma mostra da variedade que elas podem tomar. O filme tem como grande ponto positivo um conjunto de cenas que demonstram a intensidade crescente da relação de pai e filho entre Yvan e Léo.

Je me suis fait tout petit é um filme para pensar sobre a dimensão positiva do ser humano, mesmo quando ela parece diminuta. A entrega e o amor são a receita para nos tornarmos melhor. E para recuperar tudo aquilo que julgávamos ter perdido.

Por: Wilson Ledo