Um domingo bem francês no Cinema São Jorge com Gwen et le Livre de Sable a animar a manhã. E a animação continuou à tarde com La Planète Sauvage, a que se seguiu o filme De Bon Matin, com o divertido L’Art D’Aimer a fechar a noite.

L’Art D’Aimer – 6/10

No instante em que nos apaixonamos produz-se em nós uma música muito especial, que difere para cada um. É desta premissa que começa L’Art D’aimer, que nos apresenta, intercaladamente, diversos protagonistas e as suas histórias de amor, e todos os sentimentos e emoções que lhe estão associados, sempre com um tom divertido.

Emmanuel Mouret, que realiza, escreve e também atua no seu filme, não quer dramatizar, prefere antes abordar as relações com um certo tom de paródia, e onde se podem encontrar muitas semelhanças com o também francês Descaradamente Infiéis, que estreou por cá este ano. Muitas personagens, muitas histórias, muito humor e sátira às relações amorosas e sexuais.

O drama do homem que nunca se apaixonou, da mulher que quer trair o marido, do casal liberal mas ciumento, da mulher que não faz sexo há um ano e tem sonhos que parecem vir a concretizar-se, da mulher que quer, mas não quer, envolver-se com o vizinho do lado… E tudo se interliga, não resultando apenas em narrativas isoladas. 

O elenco é competente, e há um nome que se destaca, pelo recente e aclamado filme Amigos Improváveis: François Cluzet, cuja personagem vive uma das mais caricatas histórias deste L’art D’aimer.

Para além de um narrador, o filme de Emmanuel Mouret possui outra característica que o pode distinguir de filmes do género: frases que antecedem cada cena, quase como uma “moral da história”. “Paciência” será uma das que ficarão na memória. L’art D’aimer é assim um filme leve e divertido, que traz para o grande ecrã as mais hilariantes situações por que se poderá passar para alcançar esta arte que é amar.

Nesta segunda-feira, a Festa do Cinema Francês conta com mais longas-metragens de onde se destaca Je Me Suis Fait Tout Petit ou Toi, Moi, Les Autres.

Inês Moreira Santos