A RTP abriu ontem as portas a cerca de 400 pessoas, no âmbito da iniciativa Lisboa Open House, dando a conhecer o espaço que ocupa há cinco anos. Mais do que uma visita aos edifícios de arquitetura moderna, tratou-se de uma viagem pela história da (por enquanto) estação pública e pelos bastidores da atividade, que engloba muito mais do que ouvimos na rádio ou vemos na televisão.

As ‘novas’ instalações da RTP têm a particularidade de terem albergado, nos anos 60 do século XX, a indústria de lapidação de diamantes DIALAP, convertendo-se em estúdios e redações de televisão e rádio entre 2003 e 2004. Da visita ao complexo de Chelas, este sábado, fez parte não só a visita aos estúdios mas também uma breve incursão pela coleção museológica e pelos estúdios e armazéns de produção.

Estiveram envolvidos no projeto mais de 60 voluntários, de acordo com a coordenadora da iniciativa na sede da RTP, Ana Fischer. Estes são trabalhadores da RTP, nas mais diversas áreas, que acompanharam os visitantes ao longo dos diversos espaços, partilhando histórias de vida, conhecimentos e experiências. Entre eles, o jornalista Pedro Bicudo e o arquiteto António Polainas, responsável pela cenografia, prestáveis na elucidação dos interessados relativamente às diferentes atividades levadas a cabo no complexo.

O primeiro carro de exteriores, único na Europa, é também o primeiro passo de uma longa visita às instalações. É certamente uma das peças mais antigas do espólio, datando de 1957, das primeiras emissões a partir da antiga feira popular. Encontra-se à entrada do complexo, à vista de todos, quase como incentivo pelo esforço e dedicação que veicula.

Apreendemos que a RTP é uma grande estrutura, que exige muitos e qualificados recursos humanos, para não falar dos recursos económicos. Sobretudo numa era em que a imagem tem o maior impacto e todas as atividades têm se de adaptar aos meios informáticos, torna-se fundamental apostar numa estrutura consistente e especializada. Daí que, embora muitas vezes não o lembremos, por detrás e um pivô ou de uma voz na rádio encontra-se uma grande equipa, que escreve, edita, coordena e executa o que até nos chega sob a simples forma de uma informação, por exemplo.

Hoje em dia queremos saber tudo de tudo“, afirma Pedro Bicudo em conversa com os presentes, acrescentando: “A nossa missão é dar essa informação“. Em pleno estúdio do Telejornal, durante um direto para a RTP África e um relato de uma prova desportiva, a redação não pára, mas não deixa de reparar nos grupos de mais ou menos 30 visitantes que, de meia em meia hora, surgiam e fotografavam o estúdio.

Já os estúdios de rádio têm mais trabalhadores na redação, ao fim de semana, do que a fazer emissões. Só a central técnica trabalha 24 sobre 24 horas, com uma pessoa a ‘tomar conta’ de todas as ligações e emissões, dos 7 canais da estação pública. Os quatro estúdios de produção estão também calmos, preparados para programas como o Hoje, da 2, ou O Preço Certo, um espaço bem conhecido dos portugueses.

55 anos de história são contados pelas paredes da sede, pelos recantos que albergam pequenos objetos característicos dos primeiros anos de rádio e TV, mas particularmente são-nos apresentados de forma organizada e apelativa no Museu da RTP. Um estúdio de rádio dos anos 50, um mini estúdio de televisão, fotografias antigas, rádios e televisores domésticos e câmaras utilizadas pelos profissionais da RTP são alguns dos atrativos, contando a vida de um canal de televisão, falando em termos mais específicos, que inicialmente tinha apenas 2h30 de emissão diária, a preto e branco, e era único nas televisões portuguesas.

A história é também feita de rostos: dos que fazem a rádio e a televisão e dos que a vêem, do outro lado do ecrã ou das ondas do éter. E não só os mais velhos, que ainda recordam o tempo em que se juntavam na casa de alguém que tinha televisão para acompanhar um Festival da Canção ou uns Jogos Olímpicos, se interessam por esta RTP. Entre as centenas de visitantes nesta “casa aberta” da trienal de arquitetura, a sede recebeu igualmente crianças e jovens que, não tendo vivido os primórdios da tecnologia, se interessam de algum modo por esta evolução. De miúdos a graúdos, todas as gerações marcaram presença.

Cada vez mais os jovens se propõem também a construir a nova RTP, através de programas como a Academia RTP, que não podia deixar de ser falada neste contexto. A aposta nas gerações mais novas permite uma produção inovadora de conteúdos e uma diversificação do produto oferecido, através desta “renovação do ADN da produção“, como dizia alguém. Eles fazem já parte dos cerca de 2050 trabalhadores da RTP espalhados por todo o país, continente e regiões autónomas, que hoje continuam a entrar pelas nossas casas e pelas nossas vidas.

Como uma história ou peça jornalística, que tem um princípio, um meio e um fim, também esta ação fechou já as portas do moderno complexo da RTP, ficando no entanto prometida a realização de outras iniciativas deste género, como já tinha acontecido nos 50 anos da RTP ou nas bodas também de ouro do Telejornal. Certo é que, se a RTP já era a casa de todos nós no tempo dos nossos avós, agora é-o mais intensamente, do televisor ao telemóvel, passando pelo ecrã de computador, envolvendo um número ainda maior de profissionais. Há toda uma logística que, ainda que invisível, permite à RTP continuar a ser o operador de serviço público que conhecemos – e que deve ser valorizada. Que este dia aberto tenha dado melhor a conhecer a sua atividade aos portugueses.