Subordinadas ao tema (re)pública, quatro espetáculos de microteatro estrearam no Teatro Rápido, em Lisboa. “Eu Sou o Meu País” foi um destaque de entre as quatro possibilidades.

Um texto profundo; um ‘lufar de ar fresco’ para o público. Um egocentrismo saudável que a repetição do título do espetáculo faz notar, ao longo dos 15 minutos. O texto de Pedro Saavedra faz-nos, para além de integrar a nova nação apresentada, pensar na atualidade nacional.

Numa rigorosa e simples encenação, Ricardo Mendes consegue colocar o público neste país imaginário através de uma proximidade notável com o espectador.

À proximidade com o espectador, junta-se a entrega da personagem perante os mais curiosos. Projeções de fotografias da sua infância, em conjunto com a “infância” da televisão portuguesa, constroem o cenário deste país.

A esta encenação, juntam-se-lhe interpretações irrepreensíveis. É notável a concentração da atriz quando olha nos olhos o público que, calado, assiste ao seu corajoso e saudável egocentrismo. Um olhar e muitas expressões por uma personagem que se sente confiante mas que demonstra, simultaneamente, alguma fragilidade emocional. “Eu sou, sobretudo, a pequena aldeia que antes de ser vila já quer ser cidade”, diz, a certa altura, o tal país.

Num ápice, o espetáculo termina e o espectador fica perdido no meio de tantas afirmações subjetivas, que fazem pensar e questionar o mundo. A peça termina, com uma frase de encorajamento: “Tu és o teu país!”.

Uma proposta saudável para um fim de tarde de trabalho, em que, após quinze minutos de teatro, nos tornamos, de facto, cada um, o seu próprio país. Somos, cada um, a (re)pública do nosso país.

Todas as peças em cartaz podem ser vistas por três euros até dia 29 de outubro.