Se alguém pensa que andar de bicicleta é coisa de meninos, o melhor mesmo é ver Encomenda Armadilhada e garanto que irá mudar de ideias.

A trama ocorre em pleno centro de Manhattan onde carros, peões e ciclistas se misturam no tráfego de forma alucinante. Recorrendo ao método do flashback a história inicia-se com o protagonista, o ciclista Wilee, a sofrer um aparatoso acidente. Recuámos então cerca de duas horas, onde encontramos Wilee a receber uma encomenda misteriosa que tem de entregar em Chinatown antes das sete da noite. Só que percebe que não se trata de apenas mais um trabalho inocente, quando um polícia, mais ou menos suspeito, o começa a perseguir, exigindo que lhe entregue o envelope.

O que dizer deste thriller? Certamente retrata uma realidade que, pelo menos nós, não estamos habituados: a rotina de um ciclista mensageiro. Diz-se que só em Nova Iorque existem mais de 1500 nas ruas todos os dias, imagine-se. Por vezes, torna-se impressionante ver a agilidade e a destreza de Wilee em cima da sua bicicleta, ainda para mais quando ele diz não usar travões.

Os primeiros minutos do filme não prometem muito: apenas umas corridas por Manhattan e várias incongruências no argumento. Afinal por que é que Wilee arriscaria a sua vida por uma encomenda pelo qual lhe pagavam apenas 30 dólares e nem ele sabia do que se tratava? Sendo esta a premissa base do filme e, obviamente, mal explicada, tudo o que se segue não nos convence, mas o certo é que depois começa a melhorar: entram mais personagens, novas histórias paralelas e a ação expande-se de maneira agradável. E entra o fator criança que sempre comove os corações mais sensíveis. Um ponto inteligente a favor de John Kamps, o argumentista.

A parte da realização penso que foi um dos fatores chave para o filme se tornar mais apelativo. As cenas de rua e as sequências de perseguição foram bastante satisfatórias, tendo gerado uma visão não apenas uni-dimensional, mas mais ampla e pluri-angular: ora estávamos na traseira da bicicleta de Wilee, ora num autocarro a seu lado, ora no seu volante e até mesmo na sua cabeça. Neste último caso, houve um recurso ao slow motion enquanto o protagonista analisava as suas opções de caminho. Um toque de mestre.

O facto de a duração do filme ser praticamente a duração real dos acontecimentos, ainda que haja alguns flashbacks, não existe as habituais elipses temporais, o que confere à ação um ritmo intenso e gradualmente mais interessante.

Joseph Gordon-Levitt tem tido excelentes papéis nos últimos tempos, mas penso que funciona melhor como ator secundário do que propriamente como protagonista, além de que não me parecia ser o ator indicado para representar um ciclista. Contudo, fez uma boa performance e pelo que se diz, chegou mesmo a ferir-se num braço (levou trinta pontos) durante as filmagens de uma cena: de louvar. Ainda assim, Michael Shannon roubou a cena e de que maneira, ao interpretar o detetive pouco confiável, Monday.

Deste modo, e sem muitas pretensões de se tornar um filme inesquecível, Encomenda Armadilhada revela-se uma surpresa agradável e que confere algum entretenimento durante uma hora e meia. Apenas isso. E, claro, uma descoberta muito importante no final: e eu que pensava que sabia andar de bicicleta…

6.5 /10

Ficha Técnica:

Título Original: Premium Rush

Realizador: David Koepp

Argumento: John Kamps

Elenco: Dania Ramirez, Jamie Chung, Joseph Gordon-Levitt, Michael Shannon

Género: Ação, Thriller

Duração: 91 minutos