Pouco passava das 18 horas – hora marcada para o início dos concertos – quando os primeiros acordes da guitarra de Filho da Mãe se fizeram ouvir na estação de metropolitano do Cais de Sodré.

Na data em que se celebrou o Dia Mundial da Música foram vários os curiosos que aderiram ao primeiro dia do festival Música a Metro, preenchendo o chão e as escadarias da estação para assistir a cerca de duas horas de música portuguesa.

O “atrair das massas” foi levado a cabo por Rui CarvalhoFilho da Mãe – e pela sua guitarra, com temas como Encontrei os teus dentes e Sobretudo. A acústica “subterrânea” foi bastante favorável às distorções e aos efeitos utilizados pelo guitarrista que, para além deste seu projecto instrumental a solo, faz também parte das bandas If Lucy Fell e I Had Plans.

Seguir-se-ia a cantora cabo-verdiana Ana Firmino para aquele que seria o concerto mais animado da tarde.
A cantora, atriz, e mãe do conhecido Boss AC conseguiu cativar todo o público com os ritmos dançantes das suas mornas, como aconteceu no tema Chico Malandro.
A interação foi uma constante durante a atuação de Ana Firmino, que por várias vezes se infiltrou na audiência para convencer o público a cantar consigo. O ponto alto do espetáculo aconteceu durante a versão do clássico Sôdade de Cesária Évora, na qual Ana Firmino não só conseguiu que toda a estação do Cais do Sodré cantasse em uníssono, como ainda convidou uma jovem da audiência para cantar consigo em dueto.

Depois dos ritmos africanos foi a vez de JP Simões brindar o público do Música a Metro com a sua música. O artista iniciou a sua atuação com um tema instrumental – também favorecido pela acústica da estação – ao qual se seguiu a canção Lonely People, uma versão dos Beatles.
Sendo já uma constante nos seus espectáculos, o sentido de humor não faltou durante a actuação do músico de A minha nova namorada e Gosto de me drogar, temas que também fizeram parte do concerto. JP Simões referenciou ainda o facto de esta ser uma iniciativa gratuita não só para os espectadores, como também para os próprios músicos que aceitaram o convite da organização do festival apenas a troco da divulgação da sua música e da celebração do Dia Mundial da Música. Por fim atuaria António Zambujo, acompanhado pelo público nos seus temas mais conhecidos, tais como Lambreta, Zorro ou Algo Estranho Acontece.


A sua já conhecida fusão de géneros musicais, conjugando fado, música brasileira e música tradicional portuguesa fez com que a actuação de António Zambujo fechasse da melhor forma este primeiro dia de festival, uma vez que após o tema Flagrante e uma mensagem de “esperança” para a música portuguesa (com um sábio “e viva a música!”), o público desta iniciativa saiu com um sorriso nos lábios e uma tarde de boa música para mais tarde recordar.

Esta é efetivamente uma iniciativa louvável pelo seu carácter gratuito (e até “solidário” por parte dos músicos que atuaram e virão a atuar nos próximos dias de festival), e por se tratar de um festival exclusivamente dedicado à música nacional.
A acústica, que por vezes favoreceu as guitarras de JP Simões e Filho da Mãe, foi ao mesmo tempo um ponto fraco, dissipando as vozes dos artistas. Outro ponto fraco foi também a duração das atuações, que para a grande maioria do público souberam a pouco.

Para este primeiro dia de festival estava também prevista a atuação do músico e ator Manuel João Vieira, que foi alterada para o próximo dia 5 de outubro. O festival Música a Metro continuará até dia 27 do mês de outubro, contando com vários outros nomes da música portuguesa pelas várias estações do Metropolitano de Lisboa.

É possível dizer-se que este festival arrancou “com o pé direito”, tendo sido uma forma extremamente apropriada e agradável para comemoração do Dia Mundial da Música. Espera-se que o sucesso do primeiro se prolongue nos próximos dias desta iniciativa, e que esta seja a primeira de muitas edições do Música a Metro.

Texto: Joana Andrade
Fotografias: André Tenente