Entre 18 e 28 de outubro, “todo o mundo cabe em Lisboa”. É esta a máxima do Doclisboa, o Festival Internacional de Cinema Documental, que apresentou a programação da sua 10ª edição numa conferência de imprensa, na passada quinta-feira.

Novas secções

O Doclisboa apresenta nesta edição três novas secções: Cinema de Urgência, Verdes Anos e Passagens. Cinema de Urgência é o resultado de uma nova prática de cidadania, em que os indivíduos documentam a realidade política e social em que vivem, cada vez mais através da Internet. Verdes Anos apresenta filmes produzidos no âmbito académico, estabelecendo uma ponte entre jovens realizadores e o público. Por fim, a nova secção Passagens resulta da fusão entre documentário e arte contemporânea, o cinema que invade os museus, e acolherá obras marcantes assim como instalações de Pedro Costa e de Chantal Akerman .

Competição

A competição divide-se, como habitualmente, entre curtas e longas metragens, internacionais e nacionais. Logo na sessão de abertura, passa A Última Vez Que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que se encontra também na competição internacional. Na sessão de encerramento, Cesare Deve Morire, dos irmãos Traviani, filme vencedor do Urso de Ouro na Berlinale. Ainda na competição internacional de longas- metragens, destaque para Bakoroman, de Simplice Ganou, uma primeira obra que chega do Burquina Faso, e também para Three Sisters, de Wang Bing, vencedor do prémio de melhor filme da secção Horizontes, no Festival de Veneza.

A nível nacional, devemos estar atentos a Terra de Ninguém, a primeira longa-metragem de Salomé Lamas, realizadora que já apresentou várias curtas- metragens em edições anteriores do Doclisboa.

 Riscos

A secção Riscos do Doclisboa’12 apresenta-se este ano particularmente forte, prestando homenagem a três grandes cineastas recentemente falecidos: Chris Marker, Marcel Hanoun e Stephen Dwoskin. Nesta secção será também possível ver dois filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul: a curta-metragem Ashes e, em ante-estreia, Mekong Hotel, onde ficção e documentário se cruzam.

Andrei Ujica é Presidente do Júri

A presidência do júri do Doclisboa cabe este ano a Andrei Ujica, realizador de Videogramas de uma Revolução e de Autobriografia de Nicolae Ceaucescu. Para além disso, Andrei Ujica dará ainda uma masterclass, onde serão debatidos não só estes seus dois filmes mais conhecidos por cá, mas também outras obras que servem como ponto de partida para uma reflexão histórica e crítica.

Retrospetivas – Chantal Akerman e United We Stand, Divided We Fall

Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, será apresentada uma retrospetiva integral da filmografia de Chantal Akerman. Esta retrospetiva está fortemente relacionada com a nova secção Passagens, ao questionar o documentário na sua relação com outras práticas artística, como as instalações. Serão exibidos filmes como Chantal Akerman par Chantal Akerman, Là-Bas ou Un Jour Pina m’a Demandé…

Existe ainda lugar para United We Stand, Divided We Fall, que faz uma viagem até aos anos 60, 70 e 80, olhando para os filmes coletivos, numa retrospetiva que deve ser olhada também como proposta política para a atualidade. Aqui será exibido o filme Caminhos da Liberdade, feito em 1974 pela Cinequipa.

Masterclasses, workshops e debates

Para além da já referida masterclass de Andrei Ujica, haverá ainda espaço para se falar sobre Online Distribution: What to (not) Expect, onde se tentará compreender melhor o mundo da distribuição online legal.

Sendo o Doclisboa espaço de reflexão e debate, destaque para a mesa redonda que decorrerá no dia 22 de outubro, sobre a RTP e o Serviço Público de Televisão, um assunto tão atual quanto polémico. No dia 24 de outubro, é o Cinema Coletivo o assunto da mesma redonda, no contexto da retrospetiva United We Stand, Divided We Fall.

Os ingressos para o Doclisboa’12 estarão disponíveis para venda a partir do dia 4 de outubro e todas as informações relativas ao festival podem ser consultadas em http://www.doclisboa.org/2012/.