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O cinema brasileiro no Queer Lisboa

Para celebrar o ano de intercâmbio cultural entre Portugal e Brasil, o Queer Lisboa 16 preparou uma secção especial dedicada ao cinema brasileiro, com a sessão de Curtas Mix Brasil, a longa-metragem Amores Possíveis, de Sandra Werneck, e o debate sobre o reconhecimento internacional do cinema queer realizado no Brasil.

O Festival Queer Brasil percorre todos os anos as grandes cidades brasileiras, nomeadamente o Rio de Janeiro, São Paulo e  encontra-se na sua 20ª edição, integrando não só obras cinematográficas, mas também uma multiplicidade de áreas culturais, como  o teatro e  a música.

Para além das sessões do Queer Brasil, destaque para o filme Joshua Tree, 1951: A portrait of James Dean do Queer Art e os documentários El Casamiento e La Table aux chiens (KATHAKALI).

Curtas Mix Brasil

João Federici, diretor do Festival Mix Brasil de Cultura e de Diversidade e júri na competição de longas-metragens, esteve presente no festival para apresentar a sessão Curtas Mix Brasil, 5 curtas-metragens vencedoras de prémios do público tanto no Brasil como em Portugal nos últimos cinco anos.

O Amor do Palhaço – 7/10

A curta de Armando Praça retrata a vida do palhaço dançarino Grete, dividido entre o seu lar pobre e o seu trabalho no circo, onde liberta a sua verdadeira identidade. “Nem que seja uma vez na vida, eu vou ter a vida que pedi a Deus”. Com planos de sequência e jump cuts sucessivos, o filme centra-se mais na construção psicológica do protagonista do que na ação propriamente dita, tendo uma vertente mais contemplativa.

69 – Praça de Luz – 9/10

Nesta curta em formato de entrevista, todas as intervenientes partilham a mesma história: foram abandonadas ou vendidas pelas suas famílias, exploradas em trabalhos mal pagos e finalmente encontraram o seu consolo no mercado do sexo. Em modo de confissão, cada uma fala à sua maneira sobre as taras e desabafos dos seus clientes. Um filme que nos leva a conhecer os desejos mais secretos dos homens e a reflectir sobre a nossa sociedade.

Para que não me ames – 6/10

Este filme controverso conta em poucos minutos a história de uma mulher e quatro homens, que vivem na mesma cela de uma prisão. Inicialmente não aparentam estar encarcerados, mas à medida que as outras personagens surgem do outro lado das grades, tomamos consciência de que as suas vidas estão limitadas entre quatro paredes. A curta reflete sobre temas como o medo do contágio sexual e a falta de comunicação nas relações.

Eu não quero ficar sozinho – 9/10

Leo e Giovanna são grandes amigos de escola. Leo é cego e Giovanna ajuda-o em tudo o que ele precisa. Quando chega o novo aluno Gabriel à turma, os papeis se invertem e Leo apaixona-se perdidamente por ele, para desagrado da amiga. O filme consegue falar com grande naturalidade sobre a homossexualidade, narrando uma história de amor juvenil entre dois rapazes, que exploram a sua identidade sexual.

Professor Godoy – 9/10

Com planos sublimes que levam o espectador ao nível do sonho e do desejo subconsciente, Professor Godoy relata a história de um matemático que é atraido por um dos seus alunos. A troca de olhares e de bilhetes sedutores fazem com que o professor se questione sobre as suas escolhas, tendo um confronto interior entre a ética e a atração sexual. Um filme com uma fotografia cativante e um guião envolvente.

Hoje no Queer Lisboa 16 não percam as longas-metragens em competição North Sea Texas e She Monkeys, bem como o documentário No Gravity, que analisa o papel da mulher e da tecnologia, e Teus Olhos Meus, mais uma obra que integra a secção Queer Brasil.

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