O Queer Lisboa 16 – Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa  abriu as suas portas para mais uma edição.  Weekend, de Andrew Haigh, foi a longa-metragem escolhida para a sessão de abertura, que terminou em beleza com uma noite de festa no Ritz Clube . O Festival decorrerá entre 21 e 29 de setembro no Cinema S. Jorge.

No sábado dia 22 de setembro começou a maratona de filmes com os documentários I am Gay and Muslim e Children of Srikandi, a sessão especial do filme A Safe Place for the Wild, Marina Abramovic: The Artist is Present na secção Queer Art e as longas-metragens em competição: Without, North Sea Texas e Keep the lights On. Para os mais ousados a noite continuou com o especial Noites Hard, em que foram exibidos os filmes Mommy is Coming e Fucking Different: XXX.

I am Gay and Muslim 9/10

Com um título surpreendente e apelativo, o documentário em formato de reportagem apresenta os testemunhos de cinco gays muçulmanos, que habitam em Marrocos e lidam com uma sociedade altamente religiosa e intolerante à homossexualidade. O filme intercala as várias entrevistas na primeira pessoa com imagens islâmicas acompanhadas por cânticos de orações a Deus.

O realizador leva-nos numa viagem ao lado mais intimo de cada protagonista, que mantem a sua identidade em anonimato, devido às represálias que a sua comunidade pode vir a demonstrar.

As opiniões em relação ao modo como encaram a sua homossexualidade divergem. Uns assumem a sua orientação sexual e são renegados pelas suas famílias ou lutam pela sua aceitação e direitos na sociedade. Outros escondem-na, tendo uma vida dupla, não só para não atentarem contra as regras e tradições islâmicas, como também para não serem abandonados pelos seus familiares e amigos.

Numa coisa todos concordam a pressão social é notória e para quem assume publicamente a sua preferência sexual existe um grande risco de ser ostracizado , expulso do seu lar, sofrer agressão e até ser preso. Ao serem questionados se a prioridade nas suas vidas era ser feliz ao lado de um parceiro gay ou ir a Mecca em reflexão religiosa, a maior parte respondeu que a felicidade está em primeiro lugar e só depois a religião completa seu caminho.

Este documentário prova a força de se aceitar a si próprio, mesmo numa comunidade opressora. A orientação sexual não é uma simples escolha, mas algo que faz parte da identidade humana e que é impossível negar.

Polaroid Song – 6/10

Uma das curtas-metragens em competição, Polaroid Song retrata a vida de quatro raparigas, que vivem no período pós-guerra do Golfo e do colapso da URSS. Lise é uma fotógrafa que explora a sua sexualidade, enquanto acompanha Flory, Ivy e Lauriane, membros da banda Periodink, no seu primeiro concerto. É uma curta interessante com momentos de pausa narrativa, em que a narradora interpela o público com informações importantes que completam a história.

A Safe Place for The Wild 7/10

A longa-metragem A Safe Place for the Wild, que integra as sessões especiais escolhidas para esta edição do Queer Lisboa, apresenta a história de três mulheres e uma criança que vivem juntas num ambiente familiar. As relações ambíguas entre as personagens fazem nos questionar as barreiras entre a amizade, o amor e o sexo.

Todas as fronteiras são ultrapassadas: as fronteiras das relações, da comunicação e dos países. Cada personagem é oriunda de uma cultura diferente, porém partilha uma cumplicidade e intimidade invulgar, em que a culpabilidade, o ciúme e o remorso não entram no vocabulário. Como se vivessem numa comunidade de amor sem tabus, quase num mundo hippy onde as manifestações de amor e a quebra de limites são aceites e experimentados em grupo.

É um filme controverso, que ultrapassa a ideia de família tradicional e explora uma nova forma de vida. A Safe Place for the Wild, uma obra sueca emocionante.

Este domingo no Queer Lisboa 16 não percam os filmes da secção Queer Brasil, dedicado ao nosso país irmão, com as Curtas Mix Brasil, o filme Amores Possíveis e o Debate sobre a divulgação internacional do cinema Queer brasileiro. Também em destaque os documentários El Casamiento, La table aux chiens (Kathakali) e o filme sobre James Dean da secção Queer Art, Joshua Tree, 1951: A Portrait of James Dean.