Realizou-se nos passados dias 14, 15 e 16 de setembro mais uma edição do Festival de Estátuas Vivas de Tomar, este ano subordinado ao tema Viagem à Idade Média.

Já na terceira edição consecutiva, o festival alargou-se, não só em conceito como também em termos geográficos. Apesar de uma certa inovação na variedade de estátuas mostradas este ano, não faltaram na noite de sexta-feira as que, para o público, foram as melhores execuções do ano anterior. Entre sábado e domingo, para além dos 14 quadros vivos retratando vários aspectos da vivência medieval, 12 outras estátuas aliaram Tomar, Almourol e Dornes numa Rota dos Templários em que constaram figuras da nossa história como reis, templários e guerreiros.

Por trás das mais de 30 estátuas que compuseram a edição deste ano, que quase nos convencem pela sua imobilidade e

adereços, estão artistas que dão vida à heterogeneidade que é a arte de ser uma “estátua viva”. Alguns com anos de experiência, outros fazendo as primeiras aparições neste mundo, nos bastidores do espectáculo vemos origens, motivações, personalidades muito distintas. Horas antes de entrarem em cena, os artistas, muitos dos quais já se conhecem destas andanças, preparam-se para o público. A maquilhagem, que a executar pode demorar tanto 20 minutos como várias horas, deixa irreconhecíveis aqueles que cooperam entre si para dar vida às suas personagens.

O teatro é indissociável desta arte da imobilidade. Parte considerável destes artistas tem como principal actividade o cinema, ou o teatro, e o mundo das câmaras, palcos e cortinas cruza-se com uma performance que, apesar de à primeira vista o parecer, não é tão quieta assim. De tempos a tempos, as estátuas acordam para interagir com o público, acrescentando um realismo à cena que nos catapulta para a época que tencionam representar.

Mas a estátua viva é um fenómeno recente em Portugal. António Santos foi o pioneiro da arte no nosso país, tendo começado num tempo em que os transeuntes das ruas portuguesas ainda olhavam com estranheza esta arte de rua. E no ano em que celebra 25 anos de carreira, o homem conhecido como Staticman veio a Tomar bater o record mundial de imobilidade em suspensão, com uma performance de 5 horas e 6 segundos.

Numa só cidade juntaram-se portanto o pioneiro, os seus seguidores, e ainda aqueles que um dia poderão vir a ser a próxima geração de estátuas vivas do país. O projecto Máquina do Tempo, origem do festival, apostou num workshop onde participaram cerca de 40 jovens. Destes, 22 foram apurados para animarem as manhãs do festival com as “Histórias aos Quadradinhos”, onde figuraram personagens mitológicas, princesas Disney, e outras conhecidas personagens do mundo infantil como Tintim e Harry Potter.

As noites tiveram ainda animação de esplanada, como cuspidores de fogo, música e magia, e os dias com a passagem de cavaleiros, guerreiros árabes e encantadores de gansos.

Artigo e Fotos: Inês São Pedro (autora convidada)